
Pequim, 26 mai (Lusa) – O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou hoje ao intercâmbio e cooperação internacional no setor de ‘big data’, a análise de grandes volumes de dados com que Pequim quer moldar a indústria e comportamento social.
“Os paÃses devem reforçar a sua comunicação e cooperação para aproveitar as oportunidades do setor de ‘big data’ (…) e enfrentar desafios como a segurança dos dados e a governança do ciberespaço”, afirmou Xi, na carta que inaugurou o China International Big Data Industry Expo 2018, que decorre em Guiyang, capital da provÃncia de Guizhou, no sudoeste do paÃs.
“A China está a implementar uma estratégia nacional para o ‘big data’, centrada num ciberespaço forte, numa China digital e numa sociedade inteligente, que ajudarão o paÃs a fazer a transição de um modelo económico com altas taxas de crescimento, para um de alta qualidade”, afirmou.
O armazenamento e análise massiva de dados é uma aposta do Governo chinês, visando modernizar o tecido industrial do paÃs, mas também a criação de um sistema de crédito social, que atribui pontos a cada cidadão segundo o seu comportamento, situação financeira, desempenho profissional e académico ou opiniões nas redes sociais.
Sebastian Heilmann, cientista polÃtico alemão, classifica o sistema de “leninismo digital”.
“Um sistema de crédito social é uma perspetiva completamente nova na regulação não só da economia e do mercado, mas também da sociedade”, diz.
Em abril passado, aquele sistema começou a ser implementado pela China na aviação civil, passando a ser proibido os cidadãos de baixo crédito social voarem.
As autoridades detalham nove comportamentos, incluindo a difusão de falsos alarmes em aeroportos ou aviões, uso de identidades falsas, transporte de objetos proibidos ou “comportamento ameaçador ou problemático”.
Parte da indústria de ‘big data’ da China está concentrada em Guiyang, uma das provÃncias mais pobres do paÃs, onde escolas vocacionais preparam trabalhadores para processar e examinar os dados.
As principais empresas de telecomunicações da China ou os gigantes tecnológicos Apple e Tencent armazenam os dados de utilizadores chineses em Guizhou.
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