
Luanda, 23 nov 2021 (Lusa) – O Presidente da República de Angola, João Lourenço, exonerou hoje o governador da provÃncia do Cuando Cubango, Júlio Bessa, nomeando para o cargo José Martins, segundo uma nota da Casa Civil do Presidente.
Num outro decreto presidencial, o chefe do executivo angolano nomeia Guilherme Pereira para o cargo de vice-governador da provÃncia de Cabinda para os Serviços Técnicos e Infra-Estruturas.
A nota de imprensa justifica a exoneração com a “conveniência de serviço público”.
Em setembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) angolana abriu um inquérito para apurar a autenticidade de uma dÃvida de 439,5 mil milhões de kwanzas (623,3 milhões de euros) reclamada pela empresa Angoskima ao governo do Cuando Cubango (provÃncia do leste de Angola).
Segundo a imprensa angolana, a dÃvida é reclamada pela empresa Angoskima Lda pelo fornecimento de bens diversos ao governo da provÃncia angolana de Cuando Cubango entre 1992 e 1997, dÃvida que terá sido validada pelo governo local.
A imprensa angolana questionou a autenticidade da dÃvida, atribuindo ao atual governador do Cuando Cubango, Júlio Bessa, alegados desvios desses fundos em conluio com a empresa, que segundo o jornal Valor Económico foi “criada apenas em 03 de julho de 1997”.
Segundo uma certidão consultada pela Lusa, a empresa tinha como sócios, à data em que foi constituÃda, José Maria Zeferino e o seu filho de 10 anos, Angélico José Vandra Quiel. Â
O governo do Cuando Cubango justificou, na altura, em comunicado, que por orientação do Ministério das Finanças, em 21 de junho de 2021, o sócio-gerente da empresa Angoskimas Lda dirigiu-se à secretaria-geral daquele governo solicitando a emissão de uma declaração atualizada da dÃvida.
O comunicado referia que, no entender do responsável da empresa, a dÃvida, “que já havia sido validada no passado pelo Ministério das Finanças”, estava avaliada em 2,9 triliões de kwanzas, mas “após ter sido detetado um erro grave de cálculo, que empolava o montante”, a mesma foi reduzida para 439,5 mil milhões de kwanzas e validada por Júlio Bessa.
“Com este rigor contabilÃstico, o Governo Provincial do Cuando Cubango poupou aos cofres do Estado, isto é, do erário, o pagamento indevido de 2,5 triliões de kwanzas “, lê-se na nota.
Para o governo do Cuando Cubango, “é, no mÃnimo, estranho e patético a conversão deste ato de patriotismo e de boa gestão da coisa pública em escândalo e crime de desvio/roubo, que pretensiosamente está a ser atribuÃdo ao governador Júlio Bessa, sem razão fundada e nexo de casualidade com os factos” relatados.
As acusações foram consideradas pelo governo do Cuando Cubango como “ato ignóbil e desprezÃvel, forjado no laboratório por todos conhecido grupo de eixo do mal daquela provÃncia”.
Já o Ministério das Finanças esclareceu, em nota, que “não deu provimento à reclamação de dÃvida da empresa Angoskima Lda, uma vez que esta se encontrava fora do âmbito temporal de 2013 e 2017, definido pelo decreto executivo 507/18 de 20 de novembro, que norteava a estratégia de regularização de dÃvida interna atrasada”.
Conforme a metodologia definida, explica o órgão ministerial, a reclamação foi registada, após receção da certificação e homologação feitas pelo Governo Provincial do Cuando Cubango, enquanto órgão beneficiário dos serviços, “e não pela ministra das Finanças, porquanto a mesma não intervém no processo de certificação de dÃvida”.
O Ministério das Finanças assegurou também que o processo seria remetido à Inspeção Geral da Administração do Estado (IGAE), “atendendo à s inconformidades identificadas”.
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RCR (DYAS) // JH
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