
Berlim, 09 nov 2025 (Lusa) – O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, alertou hoje para as “ameaças crescentes” à democracia naquele paÃs e apelou a que não haja “cooperação polÃtica com extremistas”.
Segundo cita a Agência France-Press (AFP), o chefe de Estado alemão, num discurso a partir da sua residência oficial, o castelo de Bellevue, disse que “o aumento do antissemitismo” desde 7 de outubro de 2023, data do ataque do movimento islâmico palestino Hamas em Israel, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.
“Cento e sete anos após 1918, data da proclamação da primeira República Alemã, a nossa democracia liberal está sob pressão”, alertou Frank-Walter Steinmeier, citado pela AFP.
No dia em que a Alemanha assinala a proclamação da República em 1918, os massacres contra os judeus em 1938 e a queda do Muro de Berlim em 1989, o chefe de Estado alemão apontou o incitamento ao ódio racial, a difusão de slogans nazis, as tentativas violentas de destruição da ordem constitucional “sejam elas de extrema-direita, extrema-esquerda ou islamistas” como males que enfraquecem a democracia.
Steinmeier foi reeleito Presidente da Alemanha em 2022 e durante este segundo mandato, que acaba em 2027, tem assistido ao aumento do peso do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD).
Aquela formação nacionalista e anti-imigrantes, lembra a AFP, ficou em segundo lugar com 20,5% nas eleições federais de fevereiro, levando à formação da coligação entre conservadores e social-democratas, liderada pelo novo chanceler Friedrich Merz, que tem endurecido cada vez mais o seu discurso sobre a imigração.
O partido conservador CDU está agora empatado, com 25-27%, com a AfD, uma formação nacionalista e anti-imigrantes.
No seu discurso, o Steinmeir deixou um apelo: “Não deve haver cooperação polÃtica com extremistas. Nem no governo nem nos parlamentos”, disse.
O antissemitismo foi outro tema abordado naquele discurso, com o Presidente alemão a salientar “o aumento do antissemitismo desde 7 de outubro de 2023”.
“O antissemitismo não está de volta, porque sempre existiu”, sublinhou, questionando se “será possÃvel” que não se tenha “aprendido com a história”.
Segundo Steinmeir, o antissemitismo “vem da direita, da esquerda e do centro, existe entre os imigrantes muçulmanos”.
A AFP aponta que na Alemanha foi registado o número recorde de 6.236 crimes e delitos antissemitas em 2024, quase três vezes mais do que em 2022, sendo que quase metade (48%) foi atribuÃda à extrema-direita.
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