Prejuízos diretos da crise migratória em Ceuta sobem para 33ME

Ceuta, Espanha, 30 ago 2026 (Lusa) – A Câmara de Comércio de Ceuta elevou para 33 milhões de euros os prejuízos económicos diretos causados pela crise migratória, com o comércio e a restauração a registarem quebras superiores a 50% e o turismo uma queda de 90%.

Em comunicado, o organismo da cidade autónoma espanhola localizada no norte de África alertou que a atualização do balanço económico mostra que a crise migratória, que ocorreu no final de julho com a entrada de milhares de imigrantes ilegais no território, teve um impacto “mais forte do que o previsto”, com prejuízos diretos de 33.038.768 euros, mais 19% do que a estimativa inicial.

A Câmara de Comércio advertiu que a atividade não conseguiu recuperar em agosto e que grande parte do tecido empresarial entra em setembro num cenário de “incerteza”.

A entidade explicou que a quebra do consumo, a ausência de visitantes e a perceção de insegurança mantiveram a atividade em níveis mínimos durante todo o mês de agosto, sem a recuperação esperada após os primeiros dias da crise.

O comércio sofreu uma redução média de 53% na faturação, afetando os setores da moda, calçado, artigos para o lar, tecnologia, perfumaria, alimentação e comércio grossista, enquanto a hotelaria e restauração registaram uma quebra de 50,7%, num mês considerado fundamental para a atividade.

Ambos os setores enfrentam “problemas de liquidez devido à combinação entre a queda das vendas e os custos fixos que continuaram a acumular-se”, referiu o organismo.

O turismo “afundou-se e arrastou” o resto da economia, com a procura turística habitual a cair cerca de 90%.

A ocupação hoteleira diminuiu 50%, embora este valor tenha sido parcialmente atenuado pela presença temporária de forças de segurança e de pessoal deslocado para responder à emergência, de acordo com a entidade.

As agências de viagens registaram uma quebra global de 37,5%, marcada por cancelamentos e procedimentos extraordinários.

A Câmara de Comércio advertiu que, quando as forças de segurança e o pessoal deslocado para responder à emergência deixarem a cidade, a ocupação poderá sofrer uma nova queda acentuada caso os visitantes habituais não regressem.

Além disso, 74% das empresas já introduziram alterações nos seus quadros de pessoal, incluindo redução de horários de trabalho, reorganização de turnos, adiamento de contratações e vagas por preencher.

No comércio, esta percentagem sobe para 85,4% e, na hotelaria e restauração, para 90,9%.

Embora o relatório não apresente números concretos sobre os postos de trabalho afetados, identifica um risco claro: “Sem recuperação da atividade nem apoio imediato, os ajustamentos internos poderão transformar-se em medidas mais graves”.

O Conselho de Ministros espanhol vai aprovar na terça-feira um pacote de emergência de 165 milhões de euros para Ceuta, que se destinam a revitalizar a economia local e a reforçar os serviços públicos, afetados pela crise migratória.

No final de julho, cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola, num período de 24 horas. Destas, cerca de 70.000 já regressaram a Marrocos, segundo dados das autoridades espanholas.

Um mês depois, continuam a não existir dados exatos sobre o número global dos migrantes que ainda permanecem em Ceuta, com algumas estimativas a apontaram até oito mil migrantes, incluindo quase três mil menores.

Ceuta, um pequeno território de cerca de 83.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos e banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com outro enclave espanhol, a cidade de Melilla.

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