
Pequim, 17 jan 2024 (Lusa) — Os preços das casas novas na China caÃram 0,45% em dezembro, face ao mês anterior, na maior queda desde 2015, segundo dados divulgados hoje pelo Gabinete Nacional de EstatÃstica (GNE) do paÃs.
Em novembro, este indicador – que toma como referência os preços em 70 cidades e exclui a habitação social – tinha caÃdo 0,37%.
Trata-se da maior queda dos preços das casas novas desde fevereiro de 2015, segundo a agência Bloomberg, que sublinhou também que o valor dos imóveis em segunda mão caiu 0,79% em dezembro, em termos mensais, ao mesmo ritmo que no mês anterior.
Este valor é um novo sinal da crise que afeta o setor imobiliário chinês há mais de dois anos.
Também hoje, o GNE publicou o valor do investimento em construção imobiliária, que caiu 9,1% em 2023.
Estes números também mostram que as vendas totais de edifÃcios comerciais caÃram 6,5%, enquanto as vendas de imóveis comerciais medidos por área útil caÃram 8,5%.
“Os problemas do mercado imobiliário persistem e não há sinais de que a correção no setor esteja perto de atingir o seu ponto mais baixo. Isto está a pesar no investimento privado e a dar boas razões para manter as despesas contidas”, explicou hoje Harry Murphy Cruise, economista da Moody’s Analytics.
Na opinião de Cruise, o sucesso económico da China em 2024 estará intimamente ligado à eficácia das autoridades em inverter a situação do mercado imobiliário.
“Sem o enorme aumento da despesa dos últimos anos, o investimento imobiliário, os preços da habitação e os preços das novas habitações parecem estar no bom caminho até 2024. Em 2025, esperamos que o mercado regresse como um humilde motor de crescimento, embora muito longe dos seus dias de glória anteriores a 2021”, previu o especialista.
De acordo com um relatório divulgado no inÃcio deste mês pela consultora especializada CRIC, as vendas das 100 maiores construtoras imobiliárias da China caÃram 16,5% em termos anuais em 2023, apesar de pelo menos oito das 10 maiores estarem a oferecer descontos em várias partes do paÃs para tentar impulsionar as vendas.
A situação financeira de muitas empresas imobiliárias chinesas agravou-se depois de Pequim ter anunciado, em agosto de 2020, restrições no acesso ao financiamento bancário para construtoras que acumularam um elevado nÃvel de dÃvida, incluindo a Evergrande, com um passivo de quase 330 mil milhões de dólares (cerca de 304 mil milhões de euros).
Nos últimos meses, o Governo anunciou várias medidas de apoio, com os bancos estatais a abrirem também linhas de crédito multimilionárias a vários construtores, visando concluir os projetos inacabados, uma questão que preocupa Pequim pelas suas implicações na estabilidade social, uma vez que a habitação é um dos principais veÃculos de investimento das famÃlias chinesas.
Uma das principais causas do recente abrandamento da economia chinesa é precisamente a crise do setor imobiliário, cujo peso no PIB nacional – somando os fatores indiretos – é estimado em cerca de 30%, segundo alguns analistas.
Â
JPI // CAD
Lusa/Fim



