
DÃli, 15 set 2022 (Lusa) – O chefe de Estado timorense anunciou hoje que vai deslocar-se a Portugal em novembro, a convite de Marcelo Rebelo de Sousa, onde participará na WebSummit, dando conta ao parlamento de várias visitas ao estrangeiro previstas nos próximos meses.
Depois de visitas à Indonésia e a Austrália, respetivamente em julho e na semana passada, José Ramos-Horta disse hoje aos deputados que vai partir em breve para Nova Iorque, onde irá intervir, no dia 23, na Assembleia Geral da ONU.
“Falarei também numa sessão especial da Comissão de Construção da Paz a 26 de Setembro. Espero estar de volta a Timor-Leste no dia 28”, disse.
Quase de imediato vai visitar o Camboja, a convite do rei — o paÃs detém atualmente a presidência rotativa da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) — notando que o “amigo de confiança, o primeiro-ministro Hun Sen” “tem sido um defensor ativo da adesão de Timor-Leste à importante organização regional”.
A visita a Phnom Penh “será uma oportunidade para explorar oportunidades de comércio e investimento, particularmente no setor agrÃcola”, disse no discurso que proferiu hoje no parlamento na abertura da 5.ª e última sessão legislativa desta legislatura.
“Logo após a visita ao Camboja, irei efetuar uma visita de Estado a Portugal, a convite do nosso estimado amigo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Participarei também como orador principal na prestigiada WebSummit em Lisboa”, notou.
Ramos-Horta dedicou parte do seu discurso à s relações internacionais e à diplomacia, defendendo que os cargos de ministro do Negócios Estrangeiros e de diplomatas timorenses exigem “conhecimentos profundos, inteligência, estratégia e experiência”.
“A diplomacia, assim como a defesa e segurança, não pode ser entregue a curiosos e amadores, não pode ser partidarizada, e não pode ser matéria de barganha partidária”, afirmou, tecendo crÃticas ao funcionamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
“É fundamental” que o ministério tenha um governante “com elevada experiência, que seja academicamente qualificado, poliglota, conhecedor profundo de polÃtica internacional e do mundo em geral”. Será “um ministro que privilegia os diplomatas de carreira e não faz do ministério uma sucursal do seu partido polÃtico”, afirmou.
O chefe de Estado disse, neste âmbito, que já iniciou um “processo de avaliação de todas as embaixadas e embaixadores”, analisando “currÃculos académicos e profissionais, anos de prestação de serviços, domÃnio escrito e falado das lÃnguas oficiais e o domÃnio de, pelo menos, uma lÃngua de diplomacia e comércio internacional, o inglês”.
Ainda no capÃtulo internacional, Ramos-Horta disse que em dezembro tem prevista uma visita oficial a Singapura, destacando que o paÃs “tem sido um amigo e parceiro constante” de Timor-Leste e onde tenciona “explorar mais investimentos” do paÃs.
“Através do comércio e do investimento estamos a expandir e a aprofundar a nossa integração económica regional. Por necessidade, por imposição geográfica e escolha estratégica, continuamos a explorar todas as vias da integração económica regional. No inÃcio de 2023, Timor-Leste fará a sua adesão à OMC, outra extensão natural da integração económica regional e global do nosso paÃs”, recordou.
As adesões à ASEAN — que também espera que se concretize em 2023 – e à OMC “são impulsionadas pelos próprios interesses económicos de Timor-Leste, tais como o processo de reforma económica interna para assegurar um ambiente saudável para os investimentos externos e o investimento nacional, a diversificação da nossa economia”.
No caso da ASEAN, recordou que já foram concluÃdas revisões exaustivas da preparação para a adesão – cobrindo os seus três pilares de segurança polÃtica, sóciocultural e económico.
“Os seus relatórios apoiam os nossos próprios pontos de vista e os das Agências das Nações Unidas, das instituições Breton Woods, bem como do BAD e das missões estrangeiras sediadas em DÃli, onde Timor-Leste deu passos significativos desde a nossa independência e onde devemos ser bem-vindos a esta organização regional como o seu 11.º membro”, referiu.
“Vivemos num mundo interligado, onde o princÃpio de não deixar ninguém para trás deve ser defendido em todos os processos de desenvolvimento. Tal como a paz e a prosperidade dos nossos vizinhos nos beneficiam todos, os conflitos com origem num determinado paÃs pode ter impacto em outros”, afirmou.
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