
São Tomé, 31 dez 2024 (Lusa) — O Presidente são-tomense pediu hoje uma “governação mais responsável e mais presente”, afirmando que os desafios dos anos anteriores continuam “quase todos sem solução” e o povo enfrentou “dificuldades significativas” em 2024, que foi um “ano difÃcil”.
“2024 foi um ano difÃcil, complicado para São Tomé e PrÃncipe e para a maioria dos são-tomenses. Os desafios que 2023 e os anos anteriores carregavam continuam quase todos eles sem solução também em 2024. Somaram-se aos deste ano e o povo continua a enfrentar dificuldades significativas e a ansiar por dias melhores”, afirmou Carlos Vila Nova na mensagem à Nação, por ocasião do fim do ano.
Para o chefe de Estado são-tomense, em 2024, “poucos foram os avanços dignos de registo, que se resumem quase exclusivamente à melhoria da situação energética no paÃs”, o recente acordo de cerca de 24 milhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional (FMI) “que poderá abrir também outras portas para a injeção de verbas em forma de apoios orçamentais” para o paÃs.
“A conjuntura económica do paÃs não conheceu melhorias significativas e os problemas sociais continuam a agravar-se. As violações e os abusos sexuais de menores continuam a registar Ãndices elevados sem que a justiça consiga dar resposta satisfatória ao problema. A emigração desregrada agudiza-se, com todas as consequências disso decorrentes, mormente o nÃvel de desestruturação familiar, com crianças e adolescentes sendo abandonadas à sua sorte”, apontou Carlos Vila Nova.
“O desemprego continua a grassar e os poucos recursos que o paÃs dispõe não são redistribuÃdos de forma equitativa, penalizando sob maneira as classes mais desfavorecidas”, acrescentou.
Sem se referir ao primeiro-ministro Patrice Trovoada que tem sido várias criticado pelas múltiplas viagens que tem feito desde que assumiu a governação em 2022, passando por vezes quase um mês no exterior, o Presidente da República apelou para “uma governação mais responsável, mais participada ou menos solitária, mas sobretudo mais presente”.
“Os ingentes problemas com que o paÃs se debate não são compatÃveis com uma governação feita muitas vezes à distância, que descura uma visão estratégica, holÃstica e bem delineada das decisões que se impõem a adotar”, sublinhou o Presidente da República, acrescentando que “por muito bons que sejam os marinheiros, nada justifica que o comandante do barco se arrogue o direito de se ausentar deste durante um lapso temporal que excede metade da jornada”.
Carlos Vila Nova admitiu que o aumento das taxas aeroportuárias pelo Governo através de resolução, após o veto a proposta de decreto, “gerou uma tensão entre os poderes envolvidos”, mas considerou que “tal tensão não é nada de extraordinário, nada que não seja próprio dos sistemas democráticos”.
“Devemos defender intransigentemente a paz, a segurança e a estabilidade e, na esfera polÃtica, como de resto noutras, devemos buscar soluções negociadas dos diferentes que nos opõem, o que nem sempre é possÃvel, mas perfeitamente normal em democracia. O que não é de todo normal, nem tolerável, são atropelos à Constituição e à s leis da República e o não regular funcionamento das instituições”, vincou.
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