
Maputo, 21 mar 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano vai presidir em junho a uma conferência de alto nível sobre gestão e financiamento de catástrofes, anunciou hoje o secretário-geral da Agência de Capacidade Africana de Risco (ARC).
A informação consta de uma nota da Presidência moçambicana, após audiência concedida pelo chefe de Estado, Daniel Chapo, em Maputo, ao secretário-geral da ARC, Jean Chrysostome Ngabitsinze, no quadro do reforço da resposta às crises climáticas.
O encontro serviu para preparar a conferência de alto nível da ARC, agência da União Africana, agendada para junho, centrada na mobilização de financiamento e na coordenação de respostas a desastres naturais em África.
“Irá presidir, em junho do corrente ano, a uma conferência de alto nível sobre gestão e financiamento de catástrofes “, disse Jean Chrysostome Ngabitsinze, citado na nota.
O responsável destacou o papel de Moçambique na mobilização de esforços no continente, sublinhando a “liderança” do chefe de Estado moçambicano neste domínio.
Ngabitsinze referiu ainda que a agência manifestou solidariedade com Moçambique face às cheias e outros fenómenos extremos que afetam o território nacional.
“Discutimos os choques que o mundo enfrenta, que África enfrenta e, em particular, que Moçambique enfrenta, nomeadamente os decorrentes das cheias, a par da seca e dos ciclones tropicais”, concluiu.
A União Africana aprovou no ano passado um apoio de 1,8 milhões de dólares (1,5 milhões de euros) para mitigar os efeitos do ‘El Niño’ junto de 18 mil moçambicanos, após avaliação feita pela agência especializada ARC, noticiou anteriormente a Lusa.
De acordo com um documento detalhando a execução orçamental de Moçambique no primeiro semestre de 2025, o apoio resulta da análise feita pela ARC, agência da União Africana, que apurou o valor, através de uma apólice de seguro paramétrico contra a seca para a época chuvosa 2024/25.
Foi apurado, em abril de 2025, “um pagamento (‘payout’) na ordem de 1,8 milhões de dólares, que vai permitir assistir a cerca de 18 mil agregados familiares nas regiões mais afetadas pela seca”, lê-se no documento, explicando que Moçambique “continua a ressentir-se dos impactos do fenómeno ‘El Niño’, que tem maior incidência nas zonas sul e centro do país, provocando situações de insegurança alimentar”.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre outubro e abril.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 289, passando ainda um milhão de pessoas afetadas, desde outubro, segundo nova atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com informação da base de dados do INGD atualizada esta manhã, contabilizam-se mais quatro mortos em 24 horas, tendo sido afetadas 1.004.346 pessoas (mais 50.000 face ao balanço anterior) na presente época das chuvas – que se prolonga ainda até abril -, correspondente a 229.051 famílias, havendo também 15 desaparecidos e 349 feridos.
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.716 pessoas. Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.
No total, 20.962 casas ficaram parcialmente destruídas, 9.975 totalmente destruídas e 202.636 inundadas, na presente época chuvosa.
Ao todo, 303 unidades de saúde, 94 locais de culto e 722 escolas foram afetadas em menos de seis meses.
Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 180 centros de acomodação, que chegaram a albergar 125.875 pessoas, dos quais 50 ainda estão ativos (mais cerca de 30 na última semana, devido às recentes inundações), com pelo menos 16.401 pessoas, além do registo de 7.214 pessoas que tiveram de ser resgatadas.
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