
Maputo, 27 nov 2025 (Lusa) – O Presidente moçambicano avisou hoje a polÃcia para tomar medidas que travem a sinistralidade rodoviária, que também associa à s práticas de corrupção na corporação, não compreendendo como é que os comandantes conseguem “dormir” neste cenário.
“Companheiros, do que é que estão à espera para tomarem medidas corretivas para pararem com os acidentes de viação? Não faz sentido que vocês consigam apanhar sono, enquanto vidas inocentes se perdem na via pública, por apadrinhamento criminoso e cúmplice daqueles que podiam controlar e evitar estes acidentes de viação”, criticou Daniel Chapo.
O chefe de Estado discursava na abertura do 35.º Conselho Coordenador do Ministério do Interior, em Maputo, no qual pediu medidas concretas e recordou que, “a cada dia que passa”, as estradas do paÃs “estão a transformar-se em autênticos corredores da morte”, e reconhecendo que a segurança rodoviária é o “parente pobre” da polÃcia moçambicana.
“[Temos] a problemática de superlotação dos transportes públicos de passageiros, que passam por vários postos de controlo, mas ninguém toma medidas para estancar este mal. Vamos acabar com estes atos”, disse Chapo, criticando a “dificuldade e o embaraço” que por vezes a polÃcia cria aos turistas e emigrantes de férias, com os “alegados pedidos de refresco ao longo das estradas, principalmente durante a época festiva”.
“Temos que terminar com isto”, avisou igualmente, criticando ainda o “fascÃnio pelas viaturas com matrÃculas estrangeiras na quadra festiva” pelos agentes da polÃcia de trânsito, com “o objetivo de extorquirem os turistas”.
“Não queremos ver isso, meus caros companheiros. Esta atitude espanta turistas que são a fonte de renda de muitos irmãos nossos. É consensual entre os turistas que Moçambique é um paÃs de maravilhas, de praias maravilhosas, de ilhas maravilhosas, de reservas e áreas de conservação maravilhosas, mas a atuação da polÃcia tem sido um estrangulamento”, disse.
O chefe de Estado apontou que só de janeiro a setembro registaram-se 408 acidentes de viação em todo o paÃs, contra 459 em 2024, que provocaram 662 mortes, quando no mesmo perÃodo de 2024 foram contabilizadas 555 vÃtimas mortais, dados que mostram que a sinistralidade é “mais mortÃfera” do que a malária, que registou 308 mortes hospitalares em 2024.
“Isto é grave, meus senhores. É criminoso. É hediondo. Precisamos de travar esta onda de acidentes de viação, sobretudo porque a quadra festiva do Natal e de Fim de Ano se aproxima, e precisamos de atuar mais na prevenção para que não continue a haver luto nas famÃlias moçambicanas”, avisou.
“O mais preocupante é que todos os que estão nesta sala sabem que a causa principal da maior parte destes acidentes é o homem, o comportamento humano, cuja conduta negligente, irresponsável e criminosa interrompe abruptamente a vida de nossos concidadãos (…), mas ninguém toma medidas para estancar esta carnificina”, acrescentou.
Daniel Chapo afirmou que “infelizmente”, ainda não se sente da parte das chefias, “que deveriam tomar medidas corretivas, respostas contundentes, estruturantes e eficazes” para reduzir os nÃveis de sinistralidade rodoviária.
“É urgente que o Ministério do Interior, em coordenação com outros setores muito importantes para o controlo de acidentes de viação, como Transportes e LogÃstica, crie formas práticas, inovadoras e funcionais de prevenção e resposta aos acidentes de viação, para pararmos com estas mortes”, disse.
Daniel Chapo recordou tratar-se de um aviso que surge na entrada de nova quadra festiva, em que “cresce o tráfego rodoviário, propiciando um ambiente suscetÃvel de ocorrência de acidentes de viação”, pedindo aposta em medidas de “natureza educativa e não sempre punitiva”.
“Este é o momento certo para todos, numa única voz, dizermos basta aos acidentes de viação e a outros vÃcios que mancham a corporação policial”, defendeu.
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