
Bruxelas, 17 mar 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano pediu hoje, em Bruxelas, investimento da União Europeia no setor de energia, referindo que este é o caminho para estabelecer quatro milhões de novas ligações, acelerando o acesso universal a eletricidade até 2030 no país.
Ao discursar no RENMOZ in Europe Business Forum, em Bruxelas, Daniel Chapo indicou que Moçambique está a avançar na eletrificação do país, que passou de 26,5% em 2016 para 65% até finais de 2025, sendo um dos crescimentos mais rápidos em África, apontando ainda para a ambição de alcançar, até 2030, o acesso universal à energia, ligando quatro milhões de novos agregados familiares.
“Este objetivo exigirá investimentos significativos em geração, transporte, distribuição e soluções fora da rede. É precisamente para mobilizar esses investimentos que realizamos hoje este fórum”, disse o chefe do Estado moçambicano.
Acrescentou que Moçambique quer construir um setor energético moderno, sustentável e competitivo, capaz de impulsionar a transformação económica e contribuir para a segurança energética da região e do mundo.
Por isso, disse, já avançou com a Estratégia de Transição Energética de Moçambique, para desenvolver um sistema energético moderno baseado em energias renováveis, valorizar o gás natural, promover a industrialização verde e acelerar a adoção de energias limpas nos transportes, disse o Presidente moçambicano, durante o fórum, pedindo investimentos da Europa no setor.
Chapo disse que Moçambique está empenhado em promover o uso produtivo da energia, articulando a eletrificação com os planos de desenvolvimento rural, com a modernização da agricultura e com o crescimento de pequenas e médias indústrias, referindo que estas ações exigem capital, tecnologia, inovação, “parcerias estratégicas sólidas e duradouras”.
“É precisamente por essa razão que estamos hoje aqui: para aprofundar a cooperação entre Moçambique e a Europa e mobilizar investimentos capazes de transformar o nosso imenso potencial energético em prosperidade partilhada”, disse Chapo.
Moçambique está a introduzir novos modelos de comercialização de energia, incluindo o reforço do quadro regulatório, estando a avançar com a criação do Gestor do Sistema Elétrico Nacional, que estabelecerá um operador de sistema e um operador de mercado, promovendo maior eficiência no planeamento e na gestão do mercado energético, acrescentou.
O país, disse o chefe do Estado, acredita numa parceria entre África e Europa baseada no investimento, na inovação e no desenvolvimento partilhado, com o Presidente moçambicano a indicar que se trata de um país de oportunidades, que quer transformar o seu potencial em prosperidade.
Para Daniel Chapo, os recursos energéticos de que o país possui colocam-no como um dos maiores potenciais energéticos do mundo, com vastos recursos hidroelétricos, enorme potencial solar e eólico em larga escala e importantes reservas de gás natural.
“Esta combinação de fatores posiciona Moçambique como um parceiro estratégico para a segurança energética da África Austral e como um ator emergente no panorama energético global”, num cenário em que a segurança energética internacional é prioridade central, sendo o país capaz de contribuir com soluções energéticas sustentáveis e para a diversificação das fontes de energia regional e internacionalmente, disse.
Lembrou que o país tem em curso projetos estruturantes como a Central Térmica de Temane e o projeto hidroelétrico de Mphanda Nkuwa, que deverão aumentar a capacidade de produção nos próximos anos.
“Atualmente, Moçambique exporta mais de 1.200 megawatts de energia elétrica para os países da região e afirma-se progressivamente como um ator relevante no mercado global de gás natural liquefeito. Estes desenvolvimentos reforçam a integração energética regional e criam bases sólidas para o crescimento económico sustentável. Mas, acima de tudo, criam oportunidades concretas para parcerias de investimento”, disse Chapo.
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