
Maputo, 10 jun 2026 (Lusa) – O Presidente moçambicano enviou uma denúncia sobre violência e perseguição contra membros do partido Anamola ao procurador-geral e ministro do Interior, lê-se num documento enviado ao presidente daquela formação política, Venâncio Mondlane, que o divulgou.
“O Presidente da República ordenou a remessa do expediente à consideração de suas excelências o procurador-geral da República e o ministro do Interior, para a apreciação e adoção dos procedimentos legais tidos por adequados”, lê-se num documento do Gabinete do Presidente da República, com data de 29 de maio, divulgado por Venâncio Mondlane, presidente interino do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), na sua página da rede social Facebook.
O documento do gabinete de Daniel Chapo surge em resposta a uma petição submetida por esta organização política pedindo intervenção do Presidente face à escalada de violência contra os seus membros.
Na petição denuncia-se uma alegada escalada sistemática de atos de violência física, sequestro, tortura e perseguição política dirigidos contra membros e simpatizantes do partido Anamola, em diferentes pontos do território nacional.
O Gabiente do Presidente da República refere que a petição inclui “alegações de natureza eminentemente criminal”, que se incluem no âmbito das competências do Ministério Público.
Em 11 de maio passado, Venâncio Mondlane denunciou o assassínio de 56 membros do seu projeto político, convocando para o dia seguinte um minuto de silêncio, entoação do hino nacional e apitos contra estas mortes, após um novo caso em Manica.
Candidato presidencial em 2024 e um dos principais críticos da governação em Moçambique, disse que estes assassínios são em resposta “à aceitação e força brutal” que o seu partido tem, incluindo uma base social “extremamente forte”, indicando que a formação política está disposta a fazer uma luta “livre, justa e pacífica” na política moçambicana.
Mondlane disse também que voltou à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Maio, para se queixar de perseguição política, tendo submetido “um relatório e uma denúncia atualizada, [com] 436 casos de violência extrema contra este partido”.
Moçambique hoje realiza uma reunião do Conselho de Estado, órgão político de consulta do Presidente da República, no qual Mondlane é conselheiro, mas o líder do Anamola anunciou, numa carta datada de 08 de junho, a “impossibilidade de participação”.
No documento, Mondlane alega estar fora do país a cumprir uma agenda política internacional previamente assumida, no âmbito da intercessão junto de diferentes atores sobre a situação política e de direitos humanos em Moçambique.
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