
Maputo, 13 abr 2026 (Lusa) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, avisou hoje, em Maputo, que a “crise de combustÃveis” provocada pela guerra no Médio Oriente pode chegar a Moçambique a “qualquer altura”, pedindo aposta no transporte público para mitigar essas consequências.
Ao intervir, enquanto presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, partido no poder), na abertura da II sessão ordinária da Organização da Juventude Moçambicana (OJM, organização juvenil da Frelimo), Chapo sublinhou a prioridade do Governo, ao disponibilizar viaturas para transporte público em todo o paÃs.
“Ao colocarmos as viaturas para os 15 municÃpios da zona centro e norte e no próximo mês de maio para a zona sul, é exatamente para anteciparmos a crise de combustÃveis que a qualquer altura pode chegar, por causa da guerra, que sabem muito bem, entre o Irão, Estados Unidos e Israel. E com transporte público podemos minimizar o impacto desta crise”, disse o chefe de Estado e presidente da Frelimo, na sua intervenção.
As autoridades moçambicanas anunciaram na quinta-feira que estão a preparar medidas para mitigar eventuais impactos de aumentos dos preços de combustÃveis, face à imprevisibilidade nos preços internacionais devido à guerra no Médio Oriente.
“Em relação à questão dos preços [do combustÃvel] no mercado internacional, há muita imprevisibilidade. É muito difÃcil a uma altura desta fazer alguma previsão, tomando em consideração o que decorre mesmo no contexto geopolÃtico”, disse Felisbela Cunhete, diretora da Direção Nacional de Hidrocarbonetos e CombustÃveis (DNHC), em Maputo.
Em declarações aos jornalistas, a responsável assinalou que entre janeiro e fevereiro o paÃs constatou alguma estabilidade dos preços dos combustÃveis, situação que mudou este mês, com um agravamento dos preços de importação e do próprio produto.
“A partir de abril registou-se um agravamento dos preços de importação, refiro-me aos preços FOB [Free on Board] e o preço do próprio produto, decorrente mesmo daquilo que foi o conflito, portanto, registado no Médio Oriente, uma vez que a maior parte do produto que abastece o nosso mercado provém daquela região”, acrescentou a diretora da DNHC.
A interrupção da circulação pelo Estreito de Ormuz, via de transporte para cerca de 20% do petróleo e parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marÃtima, os mercados de combustÃveis reagiram rapidamente e registaram um agravamento muito grande dos preços, referiu.
A responsável assinalou que, com o recente anúncio da trégua entre os Estados Unidos da América e o Irão, os mercados agora reagem positivamente, porém há que considerar as infraestruturas energéticas destruÃdas naquela região em resultado do conflito.
“Tanto as infraestruturas de produção, como as refinarias e próprias infraestruturas também de logÃstica e transporte de combustÃveis sofreram. Então, a reposição desses danos todos poderá levar algum tempo”, explicou Cunhete.
Neste contexto, adiantou, caso a situação prevaleça e os paÃses passem a importar os produtos com uma fatura mais alta, espera-se que isso se reflita no mercado nacional, com o Governo a preparar-se para mitigar os impactos do aumento dos preços.
“Então, nós, naturalmente, em algum momento vamos ter de tomar esse preço e o Governo está ciente disso”, reconheceu, assinalando que o executivo já está preparado para implementar um conjunto de medidas para ajudar na mitigação do impacto do preço da venda ao público, porque o preço do combustÃvel tem um impacto multiplicador em toda a economia.
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