
Vilanculos, Moçambique, 18 nov 2021 (Lusa) — O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, defendeu hoje um forte compromisso polÃtico dos governos africanos com a conservação marinha, alertando para os impactos da insegurança marÃtima no ecossistema dos oceanos.
“As atividades criminosas, tais como a pirataria e o tráfico, representam um potencial entrave ao uso sustentável dos recursos da economia azul”, declarou o chefe de Estado moçambicano, na abertura da 2.ª Conferência Internacional Crescendo Azul, que decorre entre hoje e sexta-feira na provÃncia de Inhambane, sul de Moçambique.Â
Para o chefe de Estado moçambicano, a adoção de um quadro legal regional é fundamental para o contexto africano, uma estratégia que garanta mecanismos de proteção da vida marinha e uma exploração sustentável dos recursos oceânicos de forma regional.Â
“A proteção da humanidade não é apenas uma questão ambiental, mas também polÃtica (…). Esta ação deve pautar-se por um forte compromisso polÃtico”, frisou.
Dos 54 paÃses que compõem o continente africano, 38 são costeiros, o que coloca o continente como um dos principais interessados na proteção dos oceanos.Â
“Observam-se atos de poluição, a perda de biodiversidades, a pesca excessiva, as alterações climáticas e pressões sobre mares e oceanos, decorrentes do aumento das populações nas zonas costeiras”, alertou Filipe Nyusi.Â
Para o chefe de Estado, a adoção de uma estratégia para o controlo da área marÃtima é fundamental para qualquer estratégia e Moçambique deu um passo importante quando decidiu elaborar o Plano de Situação para o Ordenamento do Espaço MarÃtimo Nacional (POEM).Â
Entre outros aspetos, o mecanismo procura estabelecer um ordenamento marÃtimo e definir as linhas de jurisdição, respeitando os princÃpios da gestão e promovendo a exploração sustentável.Â
A 2.ª edição da Conferência Internacional “Crescendo Azul” arrancou hoje juntando mais de 1.500 pessoas em Vilanculos, na provÃncia de Inhambane, com o objetivo de promover uma economia baseada nos oceanos, debatendo mecanismos para a proteção da biodiversidade em Moçambique.Â
O evento, subordinado ao lema “Investir na saúde do oceano é investir no futuro do planeta”, tem como convidados de honra o chefe de Estado do Quénia, Uhuru Kenyatta, e o ministro do Mar de Portugal, Ricardo Serrão Santos.Â
Embora com baixos nÃveis de poluição, Moçambique, com uma costa de cerca de 2.700 quilómetros, está entre os paÃses mais vulneráveis à s alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais.Â
Este contexto coloca o paÃs entre os mais interessados em travar o aquecimento global, a subida dos oceanos e a proliferação de eventos meteorológicos extremos.
No entanto, os desafios são enormes face aos altos Ãndices de pobreza e à ambição de alcançar uma economia industrializada, num momento em que alguns combustÃveis fósseis (como o carvão e o gás) continuam entre os principais produtos de exportação.Â
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