PR moçambicano admite limitações em financiar modelos meterológicos resilientes

Maputo, 20 out 2025 (Lusa) — O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, reconheceu hoje, em Genebra, limitações de Moçambique para financiar modelos resilientes às alterações climáticas, apelando ao reforço da mobilização de novas parcerias para um mecanismo que seja “inovador e acessível”.

“O financiamento climático de Moçambique é ainda limitado, o nosso orçamento do Estado, com restrições próprias de um país ainda em desenvolvimento, não é suficiente para financiar um modelo de crescimento resiliente às alterações climáticas globais”, admitiu Daniel Chapo, ao intervir, na Suíça, no painel de alto nível sobre a “Iniciativa de Aviso Prévio para Todos e o Papel dos Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais”, a convite da Organização Mundial de Meteorologia.

Chapo defendeu a mobilização de novas parcerias públicas e privadas, “mecanismos de financiamento inovador e acessível e a reafirmação de uma necessidade partilhada” entre nações e instituições multilaterais para atender às alterações climáticas, que ciclicamente afetam o país africano.

Recordou que investir em sistemas de aviso prévio “representa uma poupança de sete dólares em reconstrução e, mais importante, representa vidas protegidas e comunidades empoderadas”, e salientou que a cobertura universal de alerta “só será real se for inclusiva”.

Disse que Moçambique tem trabalhado para ter sistemas de alerta que “sejam simples, acessíveis e úteis” para todos, avançando que o Governo tem investido também na educação climática das comunidades, nas escolas, universidades e na “participação dos jovens como multiplicadores de conhecimento e agentes de sensibilização”.

“Um marco importante deste esforço é o programa ‘um distrito uma estação meteorológica’, lançado pelo Governo com o objetivo de expandir a modernização da rede de observação meteorológica, garantindo que cada distrito moçambicano disponha de meios próprios de modernização do tempo e do clima”, acrescentou, assegurando que a emissão de previsões meteorológicas em Moçambique chegam a todos cidadãos, através de vários meios.

Moçambique é considerado um dos países mais vulneráveis e severamente afetados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre outubro e abril.

Só entre dezembro e março, na última época ciclónica, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024. O número de ciclones que atingem o país “vem aumentando na última década”, assim como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em março.

Os fenómenos meteorológicos extremos provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique, entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados anteriores do Instituto Nacional de Estatística.

 

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