PR moçambicano acusa manipuladores de usarem redes para vandalismo pós-eleitoral

Inhambane, Moçambique, 10 Set 2026 (Lusa) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, acusou hoje “manipuladores” de utilizarem campanhas de boatos e desinformação, muitas vezes difundidas através das redes sociais, para incentivar a destruição de infraestruturas públicas na sequência das eleições gerais de 2024.

“Aparecem pessoas que, depois das eleições, depois de perderem, mesmo sabendo que perderam, manipulam o povo para ir destruir um hospital, para ir destruir uma escola”, declarou Daniel Chapo, durante um comício popular no distrito de Zavala, província de Inhambane, sul de Moçambique.

O chefe de Estado afirmou que algumas pessoas recorrem às redes sociais para espalhar mentiras e desinformação, levando cidadãos a destruir bens públicos.

“Temos de estar atentos as manobras dos manipuladores, que manipulam o povo nas redes sociais, com desinformação, com mentira, com boato e que pensam que fazer política é usar violência”, afirmou perante centenas de apoiantes, questionando, a seguir, a lógica da destruição de bens públicos, argumentando que essas estruturas pertencem aos próprios cidadãos.

As declarações surgem quando Moçambique ainda recupera de um período de forte instabilidade política e social, na sequência da contestação aos resultados das eleições gerais de outubro de 2024, liderada pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que nunca reconheceu a vitória de Daniel Chapo e que é acusado pelo Ministério Público (MP) de vários crimes relacionados com os apelos à contestação.

Ao abordar o tema, Chapo disse que Moçambique nunca teve, desde a introdução do multipartidarismo, um ciclo eleitoral sem contestação dos resultados pelos derrotados, mas que os conflitos políticos devem ser resolvidos através do diálogo e não pela violência: “Não àqueles que trazem ódio entre irmãos. Sim ao amor ao próximo””.

O Presidente associou a manutenção da paz à continuação dos investimentos públicos, apontando áreas como educação, saúde, abastecimento de água, energia e infraestruturas rodoviárias como prioridades do Governo.

“Não há desenvolvimento sem paz e segurança”, sublinhou.

Para o chefe de Estado, a resposta passa por “unidade, vigilância e trabalho”, lema que repetiu várias vezes ao longo da intervenção perante a população de Zavala.

Moçambique viveu, entre outubro de 2024 e março de 2025, um período de forte agitação social marcado por manifestações e paralisações convocadas por Mondlane. O político responde agora pelos crimes de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo, numa moldura penal que pode ultrapassar os 20 anos de prisão efetiva.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público, a que a Lusa teve recentemente acesso, a prova contra Venâncio Mondlane assenta largamente nos apelos à contestação, greves, paralisações e mobilização para protestos feitos através de transmissões em direto nas redes sociais.

O líder do partido do partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), que apoiou a candidatura de Mondlane nas presidenciais de 2024, disse na terça-feira que estará no julgamento do político como declarante para dizer o que viu, e afirmou que cabe ao político visado responder às acusações relacionadas com as manifestações pós-eleitorais.

Segundo organizações não-governamentais, mais de 400 pessoas morreram em confrontos relacionados com os protestos, que provocaram também destruição de património público e privado, saques e outros atos de violência.

LCE (PME) // ANP

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