
Teerão, 02 mar 2026 (Lusa) – O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, garantiu hoje que Teerão “não ficará em silêncio” após o que descreveu como ataques premeditados contra uma escola e um hospital, atribuídos a Israel e aos Estados Unidos.
“Os ataques contra hospitais são ataques à própria vida. Os ataques contra escolas visam o futuro de uma nação (…) O mundo deve condenar esses atos”, escreveu Pezeshkian na rede X.
“O Irão não ficará em silêncio e não cederá diante desses crimes”, acrescentou.
Teerão afirmou que um bombardeamento no sábado causou 168 mortos numa escola no sul do país, mas nem os Estados Unidos nem Israel confirmaram tal ataque, embora ainda não tenha sido possível verificar, devido à falta de acesso ao terreno.
Em Teerão, capital iraniana, um hospital foi danificado no domingo à noite.
Já o embaixador iraniano junto das Nações Unidas, Ali Bahreini, criticou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, após os ataques à escola feminina na cidade iraniana de Minab, que resultou na morte de quase 150 pessoas, no primeiro dia da ofensiva.
“O silêncio do gabinete do alto comissário perante esta atrocidade é profundamente alarmante”, afirmou numa carta dirigida a Turk, a que a agência de notícias espanhola EFE teve acesso.
O chefe da missão iraniana instou o gabinete do alto comissário a condenar “nos termos mais veementes possíveis” esse ataque e “a assumir um papel de liderança na condenação deste ato atroz e na exigência de responsabilidades”.
O ataque dos Estados Unidos e de Israel “é uma das cenas mais trágicas e horríveis desta guerra”, acrescentou.
“Nenhuma destas meninas era menos inocente do que Mahsa Amini, e merecem ainda mais a atenção da comunidade internacional”, sublinhou Bahreini, referindo-se à jovem que foi detida pelas autoridades iranianas e cuja morte desencadeou uma ampla onda de protestos contra o regime em 2022.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Irão confirmou a morte do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
O Crescente Vermelho informou hoje que o número de mortos em no Irão ultrapassou os 555 desde o início dos bombardeamentos.
Em Israel, os ataques com mísseis iranianos já provocaram a morte a 10 pessoas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação iniciada no sábado visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial” ao seu país.
O atual conflito agravou também as hostilidades entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado por Teerão, que nunca deixaram de se acusar mutuamente de violações do acordo de cessar-fogo assinado em novembro de 2024.
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