
Praia, 30 abr 2024 (Lusa) — O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, pediu hoje serenidade no debate sobre eventuais reparações à s antigas colónias, na sequência das declarações do seu homólogo português.
“Eu acho que é um debate que deve fazer-se com serenidade, respeitando as opiniões de uns e de outros, as universidades, as fundações, os partidos polÃticos, a sociedade civil”, afirmou o chefe de Estado cabo-verdiano, na cidade da Praia.
O Presidente respondia aos jornalistas, à margem da condecoração com a Ordem AmÃlcar Cabral, Segundo Grau, a Felisberto Vieira Lopes (a tÃtulo póstumo), um advogado que defendeu os antigos presos polÃticos do campo de concentração do Tarrafal de Santiago.
Na quarta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa vai participar nas comemorações dos 50 anos da libertação dos presos do Campo de Concentração do Tarrafal, sÃmbolo da violência da ditadura colonial portuguesa.
Na semana passada, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reconheceu a responsabilidade de Portugal por crimes cometidos durante a era colonial, sugerindo o pagamento de reparações pelos erros do passado.
“Temos de pagar os custos. Há ações que não foram punidas e os responsáveis não foram presos? Há bens que foram saqueados e não foram devolvidos? Vamos ver como podemos reparar isto”, afirmou Marcelo num jantar com correspondentes estrangeiros em Portugal, citado pela agência Reuters.
José Maria Neves disse que não comenta em si as declarações do seu homólogo português, mas insistiu na necessidade de um debate para se “chegar a entendimento e consensos sobre essas matérias”.
O Chega pediu o agendamento de um debate de urgência no parlamento para que o Governo esclareça se está a ser equacionada a atribuição de eventuais “indemnizações à s antigas colónias”.
O partido polÃtico liderado por André Ventura acusou o chefe de Estado de trair os portugueses e pediu a Marcelo Rebelo de Sousa que se retrate por estas declarações.
RIPE (FM) // VM
Lusa/Fim



