
Praia, 18 nov 2021 (Lusa) — O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, disse hoje que os tempos são “conturbados” e considerou que é preciso o paÃs construir entendimento e consensos em torno de aspetos essenciais sobre a gestão da crise.
“Os tempos são difÃceis e conturbados. Temos de construir entendimentos e consensos em torno dos aspetos essenciais referentes à gestão da crise, à reconstrução do paÃs no pós-pandemia e à aceleração do processo de modernização do paÃs”, afirmou José Maria Neves.
O chefe de Estado publicou a mensagem após receber, durante a manhã, os três partidos polÃticos com representação parlamentar (MpD, PAICV e UCID) para análise da situação económica do paÃs e do Orçamento do Estado, que será debatido na próxima semana, no parlamento.
“O sucesso da transição para a normalidade pós-pandémica depende da disponibilidade para o diálogo, do respeito pela diferença, do grau de confiança mútua e da capacidade de cedência dos principais atores polÃticos”, prosseguiu.
Para José Maria Neves, os cidadãos e a sociedade esperam dos polÃticos elevação, nobreza de espÃrito, defesa dos interesses nacionais e um sincero comprometimento com o bem comum.
À saÃda do encontro com o Presidente, os dois maiores partidos cabo-verdianos reconheceram a situação difÃcil por que passa o paÃs, derivada da pandemia de covid-19, e pediram serenidade e diálogo sobre aspetos do Orçamento do Estado para 2022 e a situação económica.
“Há um esforço geral e um apelo a todos os partidos polÃticos com assento parlamentar para que, num ambiente de serenidade, muita tranquilidade, se discuta o Orçamento do Estado e se vejam as melhores soluções para o paÃs”, pediu a secretária-geral do Movimento para a Democracia (MpD, no poder), Filomena Delgado.
Questionada se o apelo tem a ver com o facto de pelo menos um deputado do MpD ter ameaçado votar contra o orçamento caso se concretize o aumento do IVA, a secretária-geral do partido que suporta politicamente o Governo disse que não acredita que um deputado do seu partido faça isso.
“Penso que lendo, estudando o orçamento, vendo as condições do paÃs, todos terão de fazer um esforço que o paÃs tenha o seu orçamento para que não estejamos de situação de instabilidade. Nós acreditamos e confiamos que Cabo Verde tem todas as condições para apresentação do Orçamento do Estado”, afirmou.
O presidente interino do Partido Africano da Independência de Cabo Vede (PAICV), Rui Semedo, disse ter registado “com satisfação” a perspetiva do chefe de Estrado de estar atento aos problemas do paÃs, sobretudo aos impactos da crise, mas também ao caminho que tem que ser percorrido para o paÃs enfrentar com sucesso a situação.
O polÃtico manifestou “abertura muito grande” para um “diálogo profundo” sobre o quadro em que o paÃs vive, mas pediu ao Governo para colocar em cima da mesa todos os dados e informações sobre o quadro orçamental, como a dÃvida pública, dossiês importantes em setores como os transportes bem como as propostas e compromissos para o futuro.
Na terça-feira, também após ser recebido pelo Presidente da República, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, disse que o Orçamento do Estado para 2022 é “um dos mais difÃceis” da história do paÃs, pedindo, por isso, compreensão pelo momento.
“Estamos ambos imbuÃdos de um espÃrito positivo, que é fazer um bom combate na frente sanitária, económica e social, para criarmos as condições para que o paÃs se possa manter e, ao mesmo tempo, haver a retoma da atividade económica e do emprego e da melhoria das condições de vida das famÃlias cabo-verdianas”, garantiu o chefe do Governo.
A proposta de lei do Orçamento do Estado de Cabo Verde para o próximo ano está orçada em cerca de 73 mil milhões de escudos (660 milhões de euros), menos 2% face ao orçamento em vigor.
Prevê um crescimento entre 3,5% e 6%, para fazer a ponte entre a pandemia e a retoma económica, depois das previsões entre 6,5% e 7% este ano, e da forte recessão económica de 14,8% em 2020, por causa dos efeitos da pandemia de covid-19.
Já a inflação deverá situar-se entre 1,5% e 2%, o défice orçamental ainda negativo (- 6,1%), dÃvida pública de 150,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e taxa de desemprego a reduzir para 14,2%, depois de 14,5% nos últimos dois anos.
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