
Praia, 10 jun 2019 (Lusa) — O Presidente da República de Cabo Verde desafiou hoje Portugal a abolir os vistos para os cabo-verdianos e pediu apoio para a comunidade residente em São Tomé e PrÃncipe e que está vive numa situação “muito difÃcil”.
Durante o discurso oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, que decorrem na Escola Portuguesa de Cabo Verde (EPCV), na cidade da Praia, Jorge Carlos Fonseca sublinhou a excelência das relações entre os dois paÃses.
Perante uma audiência de largas dezenas de portugueses e cabo-verdianos, o chefe de Estado de Cabo Verde recordou que recentemente foi abordado por um jornalista português que, perante os adjetivos que usou para caracterizar a relação entre os dois paÃses, tentou saber o que poderia ser uma mais-valia para essa ligação.
O chefe de Estado cabo-verdiano acabou por concordar e destacou a aposta de Cabo Verde — que atualmente tem a presidência rotativa da Comunidade dos PaÃses da LÃngua Portuguesa (CPLP) — na mobilidade entre os paÃses lusófonos.
“Para nós, e sempre o disse antes de ser Presidente da República, a CPLP nunca será uma comunidade de povos e cidadãos se não houver a possibilidade de circulação destes povos sem a necessidade dos vistos”, adiantou.
Jorge Carlos Fonseca adiantou que “Portugal está tão apostado” como Cabo Verde nesta mobilidade.
E partilhou com a audiência o que disse ao jornalista que o interpelou: “Se Cabo Verde aboliu os vistos para os cidadãos da União Europeia, porque não um acordo entre Portugal e Cabo Verde?”.
“Sabemos que não é fácil. Sabemos que a proposta portuguesa resulta de uma ginástica legal, mas convencional, por pertencer à União Europeia. Mas sabemos que, com vontade polÃtica, criatividade e imaginação sempre podemos chegar à s soluções que correspondem aos nossos anseios”, prosseguiu.
Outra medida que, na opinião de Jorge Carlos Fonseca, poderia aproximar ainda mais os dois povos seria um acordo para Portugal e Cabo Verde, juntamente com São Tomé e PrÃncipe, arranjarem “uma solução para a dolorosa situação para muitos cabo-verdianos que foram para São Tomé e PrÃncipe nos anos 1960 e se encontram numa situação social muito difÃcil”.
O chefe de Estado cabo-verdiano, que participou nas comemorações do 10 de Junho em Portalegre, disse que a escolha de Cabo Verde para parte das comemorações do 10 de Junho “traduz um relacionamento entre dois paÃses, entre dois Estados, mas sobretudo entre dois povos, que é particular, é especial”.
“É como se nós partilhássemos os nossos percursos, os nossos valores e quiçá as nossas almas”, adiantou.
Jorge Carlos Fonseca confessou ainda que viveu uma grande sensação ao assistir um pelotão das Forças Armadas cabo-verdianas a desfilar juntamente com as Forças Armadas portuguesas em Portalegre, nas cerimónias oficiais do 10 de Junho.
As cerimónias do Dia de Portugal prosseguem na terça-feira no Mindelo, ilha de São Vicente.
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