
Adis abeba, 14 fev 2026 (Lusa) – O Presidente de Cabo Verde acredita que diplomacia e trabalho de mediação ajudam a encontrar o melhor caminho para solucionar crises como a da Guiné-Bissau, incluindo no diferendo com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
José Maria Neves fez esta afirmação em declarações aos jornalistas à margem dos trabalhos da 39.ª cimeira da União Africana, hoje, em Adis Abeba, e falando de um encontro bilateral com o seu homólogo angolano, João Lourenço, durante o qual abordou vários temas da CPLP, incluindo a situação da Guiné-Bissau, após o golpe de Estado de novembro de 2025.
“Há todo um trabalho que de mediação que está a ser feito pela CEDEAO”, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, e em que a CPLP quer participar, disse o Presidente de Cabo Verde, manifestando-se convicto de que será possível “encetar o melhor caminho” para a Guiné-Bissau.
Uma missão de alto nível da CPLP, cuja presidência foi retirada à Guiné-Bissau após o golpe de Estado militar, tendo passado para Timor-Leste, deveria ir a Bissau na próxima semana, mas Dili anunciou que a tinha cancelado.
Contudo, o governo de transição da Guiné-Bissau anunciou depois ter sido sua a iniciativa de cancelamento da missão da CPLP, por não reconhecer legitimidade à presidência de Timor-Leste na comunidade de países lusófonos.
Questionado se há um fosso irreparável entre a Guiné-Bissau e a CPLP, José Maria Neves defendeu que “não há nada irreparável” e que com diálogo tudo é possível, mas também deixou a mensagem de que “é importante que a diplomacia não se faça na praça pública”.
No decorrer da cimeira, o Presidente de Angola referiu-se às mudanças inconstitucionalidade de governo, referindo Madagáscar e Guiné-Bissau” num discurso em que afirmou que falar da necessidade “do restabelecimento da ordem constitucional após a tomada do poder por meios inconstitucionais” não quer dizer “que ela fica restabelecida desde que os autores do golpe de Estado realizem eleições e se façam eleger”.
O Presidente de Cabo Verde, instado a comentar e dizer se concorda com a posição de João Lourenço, respondeu apenas que “o Presidente de Angola disse tudo”.
Falar de soluções negociadas para os conflitos, armados e outros, em África foi também tema num encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, adiantou João Maria Neves.
*** Ana Paula Pires, enviada da agência Lusa ***
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