
Praia, 28 mai 2024 (Lusa) — O Presidente cabo-verdiano pediu hoje “mudanças profundas e radicais” no paÃs após um inquérito sobre a governança, em que os cabo-verdianos sentem cada vez menos que os polÃticos respondem à s suas necessidades e mostram preocupação sobre a corrupção.
José Maria Neves disse que “todos os polÃticos” cabo-verdianos “devem prestar atenção” ao terceiro inquérito sobre Governança, Paz e Segurança, referente a 2023, publicado na semana passada pelo Instituto Nacional de EstatÃsticas (INE).
“As lideranças polÃticas, os governantes, os altos funcionários públicos devem analisar com cuidado qual é o entendimento que os cabo-verdianos têm sobre o funcionamento das instituições e sobre a formulação de polÃticas públicas e agir no sentido de introduzir melhorias”, reagiu o chefe de Estado, em conferência de imprensa, na cidade da Praia.
Uma das conclusões do inquérito é que o número de cabo-verdianos preocupados com a corrupção diminuiu, mas ainda representa a maioria da população (65,4%).
Nesta questão, Neves pediu “transparência, prestação de contas e responsabilidade”.
O documento referiu ainda que cada vez menos cabo-verdianos (só 14,2%) têm a perceção de que os polÃticos respondem à s suas preocupações e necessidades, com o mais alto magistrado da Nação cabo-verdiana a considerar que esta questão exige “mudanças radicais e profundas” nalguns domÃnios.
“Tenho insistido que não podemos continuar a fazer mais do mesmo, temos de realizar mudanças” a nÃvel institucional e no processo de decisão e de execução das polÃticas públicas “para estarmos adequados à s demandas e à s exigências”, pediu.
José Maria Neves disse que os dados requerem também uma participação cÃvica “muito mais ativa” no processo de formulação de polÃticas públicas e na exigência de prestação de contas.
O inquérito mostrou ainda que os cabo-verdianos sentem que as liberdades de imprensa e de expressão estão a ser menos respeitadas no arquipélago.
Numa reação à Lusa, o presidente da Associação de Jornalistas de Cabo Verde (Ajoc), Geremias Furtado, disse que o paÃs “não pode ignorar” esta perceção e pediu medidas para reforçar as liberdades no paÃs.
O inquérito baseou-se numa amostra de 4.962 agregados familiares, sendo que em cada agregado foi inquirido apenas um indivÃduo com pelo menos 18 anos, cobrindo os 22 concelhos de Cabo Verde, entre outubro e dezembro de 2023.
RIPE (LFO) // MLL
Lusa/fim



