
Praia, 16 jan 2026 (Lusa) — O Presidente cabo-verdiano defendeu hoje que o paÃs deve fazer “o trabalho de casa” para enfrentar medidas discriminatórias ou restrições à mobilidade como as anunciadas pelos Estados Unidos.
“Enquanto paÃs, temos de fazer o nosso trabalho de casa que, neste momento, é fazer tudo para defender os interesses dos cabo-verdianos que vivem em vários paÃses onde há medidas mais restritivas ou discriminatórias em relação aos imigrantes”, referiu José Maria Neves, numa publicação na internet.
Segundo o chefe de Estado, é necessário exercer influencia “de modo a que comunidade cabo-verdiana seja bem tratada em todos esses paÃses, sobretudo nos Estados Unidos, onde temos uma relação histórica e um contributo forte da comunidade cabo-verdiana para o crescimento e desenvolvimento” desse paÃs.
O Governo cabo-verdiano afirmou na quinta-feira que a “suspensão inesperada” do arquipélago da emissão de vistos de emigração para os Estados Unidos compromete gravemente a mobilidade dos cidadãos, já afetada com cauções sobre vistos de negócios ou turismo.
“Num espaço de 15 dias, a atual administração dos Estados Unidos tomou duas decisões que afetam de modo grave os cidadãos de Cabo Verde na sua expectativa de mobilidade entre os dois paÃses”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, José LuÃs Livramento.
O ministro reiterou que o Governo de Cabo Verde continuará a trabalhar com os Estados Unidos para retomar a normalidade na mobilidade o mais rapidamente possÃvel.
Entre as iniciativas em curso está o regresso do Corpo da Paz ao arquipélago para apoiar cidadãos que vão emigrar, com foco no domÃnio mÃnimo da lÃngua inglesa e no conhecimento da sociedade americana.
“Não é de agora que o Governo se preocupa com uma boa integração dos cabo-verdianos. Pensamos que esta situação é temporária”, afirmou.
Os Estados Unidos têm anunciado novas regras para entrar no paÃs.
Em 06 de janeiro, incluÃram Cabo Verde e Angola numa lista de 38 Estados (onde já estavam Guiné-Bissau e São Tomé e PrÃncipe) cujos cidadãos que viajem a negócios ou turismo terão de prestar caução até 15.000 dólares (12.876 euros).
Segundo o Governo cabo-verdiano, o paÃs apresenta uma taxa de permanência além do tempo permitido (‘overstay’) de 13,26%, acima dos 12,41% de 2013, valores superiores aos de vários outros paÃses.
Na quarta-feira, Cabo Verde passou também a integrar a lista de 75 paÃses, incluindo o Brasil, suspensos do processo de obtenção de vistos de imigração.
Ambas as medidas vão entrar em vigor na quarta-feira, 21 de janeiro.
Os Estados Unidos são um dos principais destinos da diáspora cabo-verdiana e o arquipélago vai disputar, este ano, o seu primeiro Campeonato do Mundo de futebol em solo norte-americano.
LFO (RS/NYC)
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