
Praia, 30 mai 2025 (Lusa) – O Presidente cabo-verdiano defendeu hoje mais oportunidades para as mulheres na economia verde e digital para evitar novas desigualdades, enquanto a coordenadora das Nações Unidas apelou à presença feminina nos espaços de poder e fim da violência polÃtica.
“Num mundo cada vez mais moldado pela inovação, é imperativo garantir à s mulheres acesso pleno à transição digital, à economia verde e aos saberes do futuro, sob pena de as novas desigualdades agravarem ainda mais as anteriores”, afirmou o Presidente, José Maria Neves, na abertura do primeiro fórum internacional com o tema “Mulher e os desafios do desenvolvimento”, na cidade da Praia.
O chefe de Estado destacou o papel histórico das mulheres cabo-verdianas e apelou à eliminação das barreiras que continuam a limitar o seu potencial.
“As mulheres cabo-verdianas sempre estiveram no centro da nossa história: como guardiãs da cultura, educadoras de gerações, lÃderes comunitários, profissionais de excelência e ativistas incansáveis. São parceiras indispensáveis na construção do paÃs”, afirmou, apontando os desafios que persistem nos domÃnios do poder, da economia e do trabalho.
José Maria Neves defendeu ainda que a igualdade de género deve ser vista como um imperativo para um desenvolvimento justo e sustentável: “Um paÃs que limita o potencial das suas mulheres está, inevitavelmente, a comprometer o seu próprio futuro”.
A coordenadora residente das Nações Unidas em Cabo Verde, PatrÃcia Portela de Sousa, alertou para as múltiplas formas de discriminação que afetam, em particular, as mulheres com deficiência, muitas vezes excluÃdas de polÃticas públicas e espaços de decisão.
“É essencial que as vozes destas mulheres sejam ouvidas e que as suas necessidades estejam integradas nas estratégias de desenvolvimento”, afirmou.
PatrÃcia Portela disse que a igualdade plena entre homens e mulheres e o combate à violência de género são condições indispensáveis para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
“Precisamos de garantir espaços de poder com rosto feminino e não permitir que a violência polÃtica, incluindo a violência online, afaste as mulheres dos centros de decisão”, frisou.
Como exemplo, apontou o impacto positivo da presença feminina na diplomacia: “Dados robustos mostram que, quando as mulheres têm lugar nas mesas de negociação, aumentam as hipóteses de reduzir a instabilidade polÃtica e os conflitos”.
O fórum que decorre hoje na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), reúne cerca de 800 participantes de todas as ilhas, da sub-região africana, da Europa e da América Latina, entre governantes, parlamentares, representantes da diáspora, ativistas, académicas, jovens empreendedoras e representantes do setor privado.
A iniciativa insere-se nas comemorações dos 50 anos da independência nacional, que se assinalam a 05 de julho.
Ao longo do dia realizam-se painéis sobre justiça climática, empoderamento e representatividade feminina, e inclusão polÃtica como via para a sustentabilidade e paz global.
Como atividade preliminar, na quarta-feira, realizou-se várias atividades para celebrar a criatividade feminina no setor audiovisual.
Na quinta-feira, foi prestada homenagem a 50 mulheres cabo-verdianas, residentes no paÃs e na diáspora, que se destacaram ao longo das cinco décadas de independência nacional.
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