
Vila Real, 09 out 2026 (Lusa) – O Presidente da República, António José Seguro, alertou hoje, em Vila Real, que a cultura dá visibilidade aos territórios e que um país que desvaloriza o interior empobrece-se a si próprio.
“A cultura tem neste caminho um papel decisivo. Dá visibilidade aos territórios, mobiliza comunidades, atrai visitantes, estimula a economia e transmite às novas gerações o sentido de pertença”, afirmou, durante um discurso na Casa de Mateus, em Vila Real.
A tarde começou em Chaves, onde visitou o museu Nadir Afonso, desenhado pelo arquiteto Siza Vieira, e terminou em Vila Real, onde presidiu à cerimónia de entrega do prémio D. Diniz à escritora Djaimilia Pereira de Almeida.
“Estar hoje em Trás-os-Montes é reconhecer que o interior não é uma margem de Portugal, é parte integrante do seu centro histórico, cultural, económico e humano”, realçou António José Seguro.
Referiu ainda que “um país que desvaloriza o interior empobrece-se a si próprio” e que “um país que investe no interior amplia as suas possibilidades e fortalece a sua coesão”.
“Portugal precisa transformar esta convicção numa prioridade permanente. Mobilizar o Estado, as autarquias, as universidades, as empresas, as instituições culturais e a sociedade civil para que cada território possa desenvolver as suas potencialidades”, frisou.
Para António José Seguro, “um país mais coeso é um país em que o código postal não determina as possibilidades de cada cidadão e que a distância aos grandes centros não significa distância aos direitos, às oportunidades ou à participação na vida nacional”.
A sua vinda a Trás-os-Montes é uma oportunidade para reafirmar a convicção de que “Portugal não se compreende, não se realiza e não se constrói o seu futuro sem valorizar plenamente o interior”.
“Hoje, cruzam-se aqui três expressões, neste dia, da cultura que nos enriquecem e nos ligam ao mundo. A obra de Nadir Afonso e de Siza Vieira, que tive a oportunidade de visitar (…) e a entrega do prémio D. Diniz na Casa de Mateus à Djaimilia”, afirmou.
Referindo que estes momentos diferentes estão “unidos por uma mesma ideia de que “a cultura é uma forma de afirmar a identidade, de abrir horizontes e de aproximar Portugal do mundo”.
“E é particularmente significativo que tudo aconteça em Trás-os-Montes, demonstração que o talento, a criatividade e a excelência não têm morada exclusiva nos grandes centros urbanos. O interior não pode ser visto apenas a partir das suas dificuldades, do envelhecimento da população, de perda de habitantes ou da distância aos principais centros de decisão”, frisou.
Defendendo que “tem de ser reconhecido também pela sua capacidade iniciativa, pelo seu património, pelas suas instituições, pela qualidade das suas gentes e pela riqueza cultural que oferece ao país”.
Depois de um elogio à sua obra que conta com 14 livros, Seguro disse que a Djaimilia Pereira de Almeida recebeu hoje “um justo prémio” na Casa de Mateus.
Nascida em Luanda, em 1982, a autora luso-angolana estreou-se em 2015 com o romance “Esse Cabelo”.
A escritora quis dedicar o prémio ao marido.
“Gostaria de dedicar este prémio a Humberto por nunca ter mudado o modo como me olha, mesmo quando todos, sem exceção, mudaram a forma como me olham e me tratam, por nunca se ter esquecido de quem eu era, por me ter lembrado quem era a mulher que sou, quando dela me esqueci e quando o esqueci a ele, por me deixar escrever e querer que eu seja quem eu quiser”, afirmou.
O prémio tem o apoio da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, um valor de 7.500 euros e como júri Fernando Pinto do Amaral (presidente), Pedro Mexia e Mário Cláudio.
A diretora delegada da Fundação da Casa de Mateus, Teresa Albuquerque, aproveitou a presença da ministra da Cultura, Juventude e Desporto na cerimónia para agradecer a “confirmação do protocolo que assegura a continuidade do apoio do ministério”.
“É um apoio que valorizamos não apenas pelo seu significado material, mas pelo reconhecimento de uma colaboração que acompanha este prémio desde a sua criação”, afirmou.
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