
Madrid, 24 jun 2026 (Lusa) – O presidente do Partido Popular de Espanha (PP, direita) voltou hoje a pedir ao primeiro-ministro do país, o socialista Pedro Sánchez, para se demitir e desafiou outros partidos a juntarem-se numa moção de censura ao Governo.
Alberto Núñez Feijóo, líder do PP e da oposição em Espanha, considerou que Sánchez lidera um “governo corrupto” já assim certificado numa “sentença unânime” do Tribunal Supremo do país, que esta semana condenou a mais de 24 anos de prisão um ex-ministro socialista, por corrupção quando ainda estava no executivo.
“A única coisa que se espera de si nestas Cortes [parlamento] é que as dissolva. Dissolva as cortes e vamos votar”, disse Feijóo a Pedro Sánchez, num debate no plenário dos deputados.
O líder do PP lamentou “a soberba” de Sánchez, que hoje, no mesmo debate, disse que vai continuar a governar, negando que exista “corrupção generalizada” no Governo e no Partido Socialista Espanhol (PSOE) ou financiamento ilegal da organização, apesar do “caso flagrante e grave” do ex-ministro José Luis Ábalos.
“Que soberba e quanta indignidade nos grupos que apoiam o Governo”, disse Feijóo, referindo-se aos partidos da ‘geringonça’ que viabilizaram o Governo.
“Pela decência que representa esta câmara, deveríamos derrubar este Governo com uma moção de censura. Por mim, já hoje. E a seguir daríamos voz ao povo numas eleições que Sánchez se nega a convocar”, disse Feijóo.
Durante o debate, nenhum dos partidos da ‘geringonça’ respondeu ao desafio de Feijóo para uma moção de censura, mesmo os que têm também pedido ou voltaram hoje a pedir a Sánchez para antecipar as eleições previstas para 2027.
Nenhum desses partidos quer ficar associado ou alinhar-se de alguma forma com o partido de extrema-direita Vox, com quem o PP teria de contar para uma moção de censura ser aprovada e com quem tem negociado coligações de governo em regiões autónomas.
Por outro lado, as moções de censura em Espanha são construtivas e quem as apresenta é automaticamente eleito primeiro-ministro em caso de serem aprovadas, sem que haja dissolução do parlamento e eleições de forma automática. Fica assim nas mãos do novo executivo a decisão de quando marcar eleições.
Um dos partidos que viabilizou o Governo e tem pedido agora a Sánchez para convocar eleições é o independentista Juntos pela Catalunha (JxCat, direita), que hoje sugeriu ao primeiro-ministro que se demita e deixe o parlamento eleger um novo chefe do Governo, considerando que esta é a forma de evitar que a extrema-direita entre no executivo nacional.
Outros partidos da ‘geringonça’, como o Partido Nacionalista Basco (PNV, conservador), a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) ou o EH Bildu (independentistas bascos de esquerda), recusaram “estender uma passadeira vermelha à extrema-direita”, mas pediram a Sánchez para “não se limitar a resistir”, ao dizer que os governos do PP foram piores em termos de corrupção ou ameaçar com a extrema-direita, num discurso que “soa a chantagem”.
Estes partidos apelaram a Sánchez para esclarecer e tomar medidas contra a corrupção e “encher de conteúdo a legislatura”, com políticas sociais que, por exemplo, respondam ao problema do acesso à habitação.
“Espero cumprir o meu mandato de quatro anos”, reiterou hoje Sánchez, na resposta aos partidos no debate parlamentar que ele próprio pediu para agendar “para informar” os deputados “sobre a situação política relacionada com as últimas investigações judiciais conhecidas”.
O primeiro-ministro disse “partilhar da indignação, frustração e deceção” com a corrupção de alguns ex-dirigentes socialistas com quem fez “caminho político”, mas insistiu em que “as corruptelas” se limitaram a um grupo de pessoas e não há “corrupção estrutural” como aconteceu com governos do PP ou financiamento ilegal no PSOE.
“Governar não consiste em resistir, mas também não é desistir”, acrescentou, antes de sublinhar que Espanha tem atualmente, após oito anos de governos do PSOE, “os melhores indicadores sociais e económicos” da União Europeia.
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