
Maputo, 28 jul 2026 (Lusa) – As poupanças dos moçambicanos através de depósitos a prazo recuaram ligeiramente em maio, para 302.043 milhões de meticais (4.092 milhões de euros), mantendo-se próximas dos máximos históricos, segundo dados do Banco de Moçambique.
De acordo com o último relatório estatÃstico do banco central, os depósitos a prazo compararam com 303.331 milhões de meticais (4.108 milhões de euros) registados em abril – recuo de 0,5% em maio – e com 302.557 milhões de meticais (4.099 milhões de euros) no mesmo mês de 2025.
Estes depósitos tinham atingido em janeiro deste ano um total de 304.675 milhões de meticais (4.126 milhões de euros), o valor mais elevado da série recente, após um crescimento face a dezembro, recuando depois em fevereiro e março, antes de voltarem a crescer em abril.
O máximo histórico continua a ser o de julho de 2025, quando os depósitos a prazo ascenderam a 305.871 milhões de meticais (4.142 milhões de euros).
Já os depósitos à ordem interromperam em maio uma sequência de vários meses de crescimento, recuando para 501.385 milhões de meticais (6.789 milhões de euros), depois dos 511.362 milhões de meticais (6.924 milhões de euros) registados em abril. Ainda assim, permanecem acima dos 444.237 milhões de meticais (6.014 milhões de euros) contabilizados no mesmo mês de 2025.
No conjunto, o total dos depósitos bancários situou-se em 803.428 milhões de meticais (10.881 milhões de euros) em maio.
Em Moçambique funcionam 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras instituições financeiras.
A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique manteve-se inalterada em junho nos 15,50%, pelo terceiro mês consecutivo, após três cortes anteriores este ano, anunciou antes a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
Desde janeiro de 2024, a taxa, conhecida como ‘prime rate’, tem vindo progressivamente a descer, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%.
Este ano, em janeiro, a AMB decidiu cortar 10 pontos base à taxa, que caiu para 15,70%, mantendo-a inalterada em fevereiro, apesar do corte na taxa diretora então decidido pelo banco central.
Seguiram-se cortes idênticos, de 10 pontos base, em março e em abril, e a estabilização da taxa em maio e junho.
As oscilações da ‘prime rate’ estão associadas à taxa de juro de polÃtica monetária (taxa MIMO, que influencia a fórmula de cálculo da ‘prime rate’) pelo banco central, para controlar a inflação.
Os dados do Banco de Moçambique indicam ainda que a taxa média de remuneração dos depósitos a um ano desceu para 4,34% em maio, contra 4,65% em abril e 6,60% no mesmo mês de 2025.
O Banco de Moçambique decidiu em 25 de maio manter a taxa de juro de referência em 9,25%, aumentou o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional e admitiu que a inflação venha a disparar para dois dÃgitos devido à crise dos combustÃveis.
“Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e ao seu impacto sobre a cadeia logÃstica e a oferta de bens, assim como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustÃveis e alimentos”, explicou então o governador do banco central, Rogério Zandamela.
A posição foi assumida no final da reunião do Comité de PolÃtica Monetária (CPMO), em Maputo, que decidiu manter a taxa inalterada, tal como já o tinha feito em março, após 12 cortes consecutivos desde janeiro de 2024, com Zandamela a admitir que a continuidade da pausa neste “relaxamento” da taxa MIMO depende da evolução do contexto nacional e internacional.
A próxima reunião do CPMO está prevista para quarta-feira, 29 de julho.
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