
Lisboa, 18 mai 2024 (Lusa) — Portugueses e espanhóis acreditam que cerca de metade dos empresários são corruptos, uma perceção que abrange ainda cerca de dois em cada três polÃticos, segundo um estudo conjunto entre entidades dos dois paÃses.
Segundo o relatório “Perceções comparativas da corrupção em Espanha e Portugal”, os inquiridos consideraram que a corrupção é mais prevalente na polÃtica e nos negócios, estimando, que 50% dos empresários e entre 60% e 70% dos polÃticos são corruptos.
Quanto a funcionários públicos, a perceção é de que 40% são corruptos, em linha com a perceção junto da população geral, segundo as conclusões citadas na sexta-feira pela agência de notÃcias EFE.
Em termos de práticas de corrupção, a maior preocupação não é o pagamento de subornos, que ficou nos 11% em Espanha e nos 10% em Portugal, contra a média europeia de 11%, mas sim a interação entre a polÃtica e os negócios.
De acordo com o relatório, 80% dos inquiridos em Portugal e 70% em Espanha consideraram que a corrupção é algo que faz parte da cultura empresarial do paÃs e não é algo circunstancial, face a 60% da média europeia.
As conclusões foram apresentadas na sexta-feira, pelo professor de Ciência PolÃtica da Universidade de Múrcia Fernando Jiménez, pelo investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) Gustavo Gouvêa Maciel e pelo diretor da Agência Antifraude de Valência, Joan Llinares.
O estudo foi realizado com base em dois inquéritos em cada um dos paÃses e com amostras representativas da população. A primeira fase decorreu entre dezembro de 2020 e abril de 2021 e inseriu-se no projeto EPOCA, com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia e sob coordenação cientÃfica do ICS-UL.
Já o segundo inquérito foi realizado em Espanha e contou com o apoio da Agência Valenciana de Luta Antifraude e sob a coordenação cientÃfica da Universidade de Múrcia.
O objetivo foi fazer uma análise à perceção pública de diferentes aspetos relacionados com a corrupção, a ética e a integridade de elementos da vida pública nos dois paÃses.
Embora haja diferenças entre Portugal e Espanha, o estudo nota que há tendências gerais que colocam a corrupção como um problema preocupante para ambos os paÃses, com implicações na confiança nas instituições e na democracia, apontando para a necessidade de uma resposta polÃtica adequada.
Uma das maiores diferenças entre os dois paÃses prende-se com o clientelismo. Se em Portugal a percentagem de inquiridos que consideram que o clientelismo polÃtico é necessário é de 70%, em Espanha esta percentagem recua para 49%, um valor próximo da média europeia, situada em 50%.
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