
Lisboa, 04 jul 2022 (Lusa) — Portugal vai ajudar na reconstrução de escolas na região ucraniana de Jitomir, a cerca de 150 quilómetros de Kiev, anunciou hoje o ministro da Educação, João Costa.
“Vamos concentrar o nosso apoio numa região especÃfica, Jitomir, onde já temos um trabalho de mapeamento de escolas onde podemos intervir”, disse à Lusa o ministro da Educação, que participa na Conferência de Lugano, na SuÃça, que tem como objetivo a elaboração de um plano para a reconstrução da Ucrânia.
Estimativas do governo ucraniano apontam para 1.200 estabelecimentos de ensino do paÃs destruÃdos pela guerra, desde o inÃcio da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro.
Na região de Jitomir os ataques terão destruÃdo 70 escolas que, segundo João Costa, apresentam diferentes nÃveis de destruição.
Segundo João Costa, o projeto preparatório da reconstrução das escolas “já se iniciou”, num trabalho conjunto do Governo e do Ministério da Educação, através da Parque Escolar, com as autoridades ucranianas.
Portugal, juntamente com outros paÃses, ficará responsável pela requalificação de estabelecimentos de ensino desde creches a escolas secundárias, estando ainda a ser estudado o número concreto de escolas que caberá a Portugal recuperar.
“Vai ser o trabalho técnico a definir qual o nosso nÃvel de intervenção e apoio financeiro”, explicou o ministro.
“Neste momento há um trabalho muito intenso, entre a Parque Escolar e as autoridades, para toda a definição técnica. Só quando percebermos a tipologia de construção, qual o modelo de contratação é que poderemos começar a desenhar um calendário concreto de intervenção”, adiantou João Costa.
O ministro sublinhou ainda que este projeto tem de garantir “equilÃbrio entre uma recuperação que a Ucrânia pretende que seja relativamente rápida e os princÃpios de qualidade e segurança dos próprios edifÃcios”.
A guerra na Ucrânia levou à fuga de milhões de pessoas, tendo Portugal atribuÃdo até ao momento 46.181 proteções temporárias, 28% das quais concedidas a menores (cerca de 13 mil crianças), segundo dados divulgados hoje pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).
Desde o inicio do conflito, as escolas portuguesas abriram as suas portas a estes alunos e, segundo o ministro, há cerca de 4.700 estudantes inscritos no ensino português.
“Temos estado com um número muito estável no que foram as matrÃculas no final do 3.º perÃodo e já com a projeção com as matrÃculas para o 1.º perÃodo do próximo ano, com um número muito estável de 4.700 alunos”, avançou à Lusa.
Ainda não se nota um movimento de regresso à Ucrânia, “até porque com os dados que aqui foram reportados há cerca de 1.200 escolas destruÃdas no paÃs todo e obviamente as famÃlias regressam se os filhos tiverem escola para frequentar”, disse João Costa, à margem da conferência, onde estão representantes de 36 paÃses e organizações, como o Banco Mundial, a Organização Mundial da Saúde e a União Europeia.
SIM // JMR
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