
Lisboa, 09 jun 2023 (Lusa) — Portugal registou em 2022 o quinto maior défice da balança comercial entre os paÃses da União Europeia e o sexto maior défice em percentagem do PIB, de 31.036 milhões de euros e 13,0%, respetivamente, divulgou hoje o INE.
De acordo com uma análise do Instituto Nacional de EstatÃstica (INE) ao comércio internacional de bens em Portugal no contexto da União Europeia e da zona euro, França foi o Estado-membro que registou o maior défice comercial, enquanto a Alemanha registou o maior excedente.
Já Malta, Chipre e Croácia destacaram-se com os maiores pesos do défice no Produto Interno Bruto (PIB) e, em sentido contrário, a Irlanda surgiu com o maior peso do excedente no PIB, seguida dos PaÃses Baixos e da Alemanha.
Os dados do INE apontam ainda que, em 2022, os maiores défices comerciais de Portugal continuaram a registar-se nas transações de bens com Espanha, China e Alemanha, embora com troca de posições entre estes dois paÃses.
Já o maior excedente manteve-se nas trocas com França, continuando o segundo e terceiro maiores excedentes a verificar-se nas transações com o Reino Unido e os Estados Unidos, respetivamente.
No ano passado, o INE destaca que as exportações portuguesas de bens atingiram o valor total “mais elevado de sempre das estatÃsticas do comércio internacional”, somando 78.207 milhões de euros e aumentando 22,9% face ao ano anterior e 30,6% face a 2019, após uma subida homóloga de 18,3% em 2021.
Esta evolução das exportações portuguesas em 2022, face a 2021, superou em 1,9 pontos percentuais o crescimento das exportações dos paÃses da União Europeia no seu conjunto (que foi de 21,0%), embora face a 2019 as exportações nacionais tenham aumentado ligeiramente menos (-0,1 pontos percentuais).
Já face ao crescimento do conjunto dos paÃses da zona euro, o INE nota que as exportações portuguesas “apresentaram um maior dinamismo” (+1,8 pontos percentuais face a 2021 e +0,7 pontos percentuais comparativamente com 2019).
No que se refere à s importações nacionais de bens, atingiram 109.243 milhões de euros em 2022, também “o valor mais elevado de sempre das estatÃsticas do comércio internacional”, tendo crescido 31,4% face ao ano anterior (em 2021 tinham aumentado 22,0%) e aumentado 36,6% face a 2019.
Face à s importações totais da União Europeia, que cresceram 28,9% face ao ano anterior e 43,4% comparando com 2019, as importações portuguesas registaram um crescimento anual “ligeiramente superior” (+2,5 pontos percentuais) em 2022, mas inferior relativamente a 2019 (-6,8 pontos percentuais).
Comparativamente com o crescimento do conjunto dos paÃses da zona euro, as importações portuguesas cresceram mais em 2021 (+1,8 pontos percentuais), mas menos face a 2019 (-6,4 pontos percentuais).
Em 2022, as importações provenientes de paÃses intra-UE aumentaram 23,9% face a 2021 (+14.641 milhões de euros), enquanto as importações de paÃses extra-UE cresceram 52,3% (+11.456 milhões de euros). Em 2021, tinham-se registado acréscimos de 20,3% e 27,0%, respetivamente.
Já as importações portuguesas provenientes do conjunto dos paÃses pertencentes à zona euro cresceram 24,3% (+20,2% em 2021), tendo-se registado igualmente um aumento nas importações do conjunto dos restantes paÃses da UE (+19,0%, +21,7% em 2021).
A China manteve-se como principal fornecedor extra-UE de Portugal e passou a ser o quarto principal paÃs parceiro (sexto em 2021), com um peso de 5,1% (+0,3 pontos percentuais que em 2021).
Face ao ano anterior, no ‘ranking’ dos 10 principais paÃses fornecedores de bens a Portugal, verificou-se a descida dos PaÃses Baixos e da Itália, para as quinta e sexta posições, respetivamente (quarta e quinta, pela mesma ordem, em 2021).
A Bélgica, que tinha ocupado a sétima posição em 2021, foi ultrapassada pelo Brasil e pelos Estados Unidos (oitava e nona, respetivamente, em 2021), passando a ocupar a nona posição do ‘ranking’. A Polónia deixou de ser o 10.º principal fornecedor (11.º em 2022), trocando de posição com a Nigéria.
Ainda de acordo com o INE, na última década, as exportações de Portugal divergiram, em média, +0,7 pontos percentuais face à totalidade dos paÃses da União Europeia e +0,9 pontos percentuais relativamente aos paÃses que integram a zona euro.
“A maior diferença registou-se em 2013, tendo as exportações de Portugal crescido 4,6% comparando com +0,3% na União Europeia e +0,1% no conjunto dos paÃses da zona euro”, detalha.
Já em 2020, ano marcado pelo inÃcio da pandemia, o decréscimo das exportações portuguesas foi mais acentuado, atingindo -10,3%, face a -8,0% da União Europeia e -8,8% da zona euro.
Por sua vez, as importações de Portugal divergiram na última década, em média, +1,1 pontos percentuais face à totalidade da União Europeia e +1,4 pontos percentuais relativamente aos paÃses que integram a zona euro.
Segundo o INE, “a maior diferença coincidiu com o perÃodo em que mais se fizeram sentir os efeitos da pandemia covid-19, tendo as importações portuguesas diminuÃdo 14,8% em 2020, o que compara com -8,9% no total da União Europeia e -9,7% nos paÃses da zona euro”.
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