
Lisboa, 12 dez 2024 (Lusa) – A situação económica de Portugal melhorou após a crise financeira e registou-se um crescimento do PIB e criação de emprego acima da média, mas os ganhos de competitividade foram modestos, concluiu uma análise do Banco Central Europeu (BCE).
Segundo uma publicação do ‘blog’ do BCE, que analisa a evolução das economias mais afetados pela crise – Grécia, Portugal, Chipre e Irlanda – no perÃodo de 2010 até agora, “todos os quatro paÃses se recuperaram notavelmente bem, superando o restante da zona euro em termos de produção económica e criação de empregos”.
No que diz ao crescimento económico, Irlanda, Portugal e Chipre começaram a recuperação no perÃodo de 2012 a 2014, enquanto para a Grécia começou mais tarde, já que “enfrentou os maiores desafios” e também “porque a reestruturação da dÃvida soberana foi adiada”.
Já quanto à situação orçamental, novamente com a exceção da Grécia, “os nÃveis de dÃvida começaram a cair após a crise, interrompidos apenas pelo grande choque da pandemia em 2020”. “Desde então, os orçamentos em todos os quatro paÃses melhoraram”, nota a publicação assinada pelos economistas Daniela Filip, Klaus Masuch, Ralph Setzer e Vilém Valenta.
“Chipre, Irlanda e Portugal até registraram excedentes orçamentais em 2023”, destacam, sendo que o Governo português projeta saldos orçamentais positivos nos próximos quatro anos.
As projeções de Bruxelas também apontam para uma continuidade da trajetória de redução da dÃvida, sendo de salientar que “em todos os quatro paÃses, a dÃvida pública real per capita é agora menor do que em 2019, enquanto os aumentos no rendimento disponÃvel real durante esse perÃodo foram mais fortes do que em muitos outros paÃses da zona euro”.
Olhando para a situação da banca, os economistas do BCE reiteram que as “iniciativas dos governos ajudaram a tornar o setor financeiro mais estável e resiliente”.
Finalmente, são analisados os desequilÃbrios externos, que “foram reduzidos” ao longo destes quase 15 anos, mas Portugal compara pior neste indicador.
“A Irlanda melhorou a competitividade mais rapidamente entre os quatro, graças à s suas estruturas económicas flexÃveis e a um rápido ajuste de preços e salários”, notam.
Já no Chipre e na Grécia, os ganhos de competitividade “excederam os da maioria dos outros paÃses do euro desde 2009”. Por outro lado, em Portugal, “os ganhos foram mais modestos e menos sustentáveis”, referem.
Tendo em conta esta análise, os economistas concluem que a “situação económica da Grécia, da Irlanda, de Portugal e do Chipre melhorou substancialmente ao longo da última década”, sendo que “as medidas polÃticas introduzidas durante a crise e no seu rescaldo ajudaram a reduzir os desequilÃbrios e conduziram a um maior crescimento e a descidas mais acentuadas da dÃvida pública em comparação com a maioria dos outros paÃses da área do euro”.
Apesar destes progressos, é deixado o alerta de que estes paÃses ainda “enfrentam grandes desafios”, nomeadamente o nÃvel elevado da dÃvida pública e “os passivos externos permanecem altos e o crescimento da produtividade é baixo”.
“Estas fraquezas diferem entre os paÃses e podem piorar com os novos desafios geopolÃticos, envelhecimento populacional e mudanças climáticas”, avisam os economistas, deixando a recomendação de que “esforços substanciais de polÃtica estrutural são necessários para estimular ainda mais o crescimento potencial, salvaguardar a sustentabilidade da dÃvida e construir resiliência económica”.
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