
Lisboa, 20 out 2022 (Lusa) – O fundador e ‘chairman’ do Fórum Portugal Qatar diz, em entrevista à Lusa, que “Portugal pode ser uma plataforma estratégica para o Qatar”, não só em termos europeus como via de integração de projetos com a comunidade CPLP.
“Acredito que Portugal, de facto, pode ser uma plataforma estratégica para o Qatar, não só tem termos europeus, como também via integração de projetos de investimento e económicos com a comunidade da CPLP [PaÃses de LÃngua Portuguesa]”, considera Nuno Anahory, a um mês do arranque do Mundial 2022, que terá lugar pela primeira vez num paÃs árabe e no final do ano.
O Qatar é “maior ‘player’ mundial ao nÃvel da produção e distribuição de gás”, salienta o ‘chairman’ do Fórum Portugal Qatar, a exatamente um mês do paÃs ser palco do Mundial de Futebol, sendo a primeira vez que um paÃs árabe é anfitrião deste evento desportivo.
“Tive a oportunidade de discutir esse tema quando estive em março no Qatar, precisamente sobre a oportunidade de Portugal ser um ‘hub’ estratégico para entrada e armazenamento de gás do LNG [Gás Natural Liquefeito] que vem do Qatar”, ou seja, “através de um ‘pipeline’ que se podia construir” no paÃs de acesso à Europa, prossegue o fundador da associação que visa dinamizar as relações económicas entre os dois paÃses.
No entanto, “existem são alguns constrangimentos polÃticos entre Portugal, Espanha e França que estão a ser discutidos em sede da União Europeia”, mas “sem dúvida que o Qatar tem todo o interesse” neste âmbito, considera.
Nuno Anahory destaca as recentes visitas do emir do Qatar a Espanha e Alemanha, esperando que proximamente possa acontecer algo do género em Portugal.
O Qatar quer afirmar-se “como um paÃs que condena a situação militar de guerra que a Rússia está a fazer sobre a Ucrânia e quer ter um papel cada vez mais interventivo na questão energética na Europa”, refere o responsável, apontando que, nesse sentido, “o porto de águas profundas de Sines é uma porta de entrada para a Europa fundamental”.
O presidente do Fórum Portugal Qatar (FQP) recorda que, em 2021, o Qatar “foi aprovado como o primeiro Estado do Médio Oriente como observador associado da CPLP e isto demonstra, de facto, uma visão estratégica” de Doha “para a lusofonia”, com “tudo o que isso representa em termos de oportunidades em diversos setores de atividade”.
Depois desta decisão “já houve missões a alguns paÃses africanos” e “creio que aqui também Portugal pode acompanhar este interesse efetivo de ter o primeiro paÃs do Médio Oriente como observador associado na CPLP”, aponta.
“Gostaria de convidar e desafiar as empresas de Portugal e da lusofonia a olharem para o Qatar como uma plataforma para poderem estabelecer os seus negócios e poderem trabalhar para toda a zona do Golfo, para toda aquela zona do Médio Oriente ou do GCC [Conselho de Cooperação do Golfo]”, diz o responsável.
Em termos de legislação económica, salienta, Doha “tem-se adaptado” em termos de “captação de investimento”, adianta, referindo que, “neste momento, por exemplo, já é possÃvel uma empresa portuguesa, um empresário português ser detentor de 100% do capital” da empresa que vai abrir no Qatar.
Depois, “há uma série de incentivos fiscais de financiamento que são muito atrativos para as empresas que querem estar presentes nestes mercados e nessa geografia”, remata.
A fase final do Mundial vai ser disputada dentro de exatamente um mês, entre 20 de novembro e 18 de dezembro, dia nacional do Qatar, por 32 equipas.
Portugal integra o Grupo H da competição, com Uruguai, Coreia do Sul e Gana.
ALU // CSJ
Lusa/Fim



