Lisboa, 20 jul 2022 (Lusa) — A ministra da Defesa Nacional anunciou hoje que Portugal já enviou 315 toneladas de material militar para a Ucrânia, designadamente ‘drones’, armamento ou munições, e confirmou que Kiev já recebeu 14 carros blindados M-113 disponibilizados pelas Forças Armadas.
“Demos, até à data, 315 toneladas de material, entre equipamento de proteção individual, munições, armamento, mas também material médico e sanitário, veÃculos, ‘drones’, enfim uma variedade de material que nos foi solicitado. [Houve] sempre, sempre, a solicitação da Ucrânia”, disse a governante.
Helena Carreiras falava numa audição da Comissão parlamentar de Defesa Nacional sobre a execução da Lei de Programação Militar (LPM), em que também marcou presença o secretário de Estado da Defesa Nacional, Marco Capitão Ferreira.
A ministra da Defesa referiu que o Governo tem atualmente “cerca de 700 ‘kits’ médicos a ser preparados para enviar” para a Ucrânia, além de estar a oferecer “apoio de treino para várias áreas, designadamente para os veÃculos Leopard V-6 e também para a desminagem, inativação de engenhos explosivos” ou outras áreas que possam vir a ser solicitadas por Kiev.
Helena Carreiras forneceu estes dados aos membros da Comissão de Defesa Nacional após ter sido interpelada pela deputada da Iniciativa Liberal (IL) PatrÃcia Gilvaz sobre o fornecimento de material militar à Ucrânia, e designadamente sobre o transporte de 15 carros blindados M-113 oferecidos por Portugal, que alegou só ter sido possÃvel “graças à generosidade de paÃses terceiros”.
A deputada da IL quis ainda saber se as Forças Armadas portuguesas “utilizam material da Segunda Guerra Mundial”, referindo-se a notÃcias segundo as quais a Ucrânia teria recusado “obuses rebocados M-114 de 155 milÃmetros disponibilizados pelo Governo português”, e que datariam de 1942.
Em resposta a PatrÃcia Gilvaz, Helena Carreiras afirmou que Portugal ofereceu 14 carros blindados M-113 à Ucrânia — e não 15 — e sublinhou que o transporte dos veÃculos em questão foi feito “no quadro da coordenação internacional que está a ser levada a cabo entre parceiros e aliados”, em referência ao “chamado grupo de contacto para a Ucrânia”, e através de “um centro de coordenação de doadores”.
Segundo Helena Carreiras, esse centro de coordenação “ajuda os paÃses a processar ou a organizar os processos de transporte e de envio para a Ucrânia de todo o material”, como também “coordena esse esforço para o articular, para não ser aquela dispersão que à s vezes acontece nestes processos”.
“Parece-vos que deveria ter onerado o contribuinte português com o envio descoordenado das nossas dádivas à Ucrânia, ou usar o mecanismo como está? Demorou um pouco? Demorou. Concretizou-se: [os M-113] já lá estão, já recebi uma carta do meu homólogo a agradecer muitÃssimo a chegada desse material”, anunciou.
Quanto ao que qualificou de “história dos obuses”, em referência aos M-114 que foram alegadamente recusados por Kiev, Helena Carreiras afirmou que essa história está “mal contada” e que o armamento em questão foi pedido “explicitamente pela Ucrânia”.
“Nós mostrámos disponibilidade e, mais tarde, eles retiraram o pedido porque já tinham recebido material idêntico”, frisou.
Helena Carreiras prontificou-se a ir com mais frequência à Comissão de Defesa Nacional para prestar esclarecimentos sobre estas matérias, tendo em conta que a comunicação social “acompanha de muito perto as questões de Defesa” e “sobretudo as questões que têm a ver com os equipamentos e com a Ucrânia”.
“Relativamente à s missões, por exemplo, é uma conversa que vale a pena termos e para acompanharmos melhor o que fazem os nossos militares. É também uma ocasião para projetar para o paÃs aquilo que é importante trabalho das Forças Armadas portuguesas”, sublinhou.
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