
Lisboa, 07 nov 2021 (Lusa) — A remuneração média nacional aumentará 10,1% entre 2015 e 2022, ao mesmo tempo que o salário mÃnimo subirá 39,6%, fazendo com que Portugal se transforme “num paÃs de salários mÃnimos”, conclui o economista Eugénio Rosa.
Entre 2015 e 2022, segundo dados do Ministério do Trabalho citados no estudo do economista hoje divulgado, o salário médio aumentará 96 euros, para 1.048 euros, enquanto o salário mÃnimo nacional subirá 200 euros, para 705 euros (segundo a intenção manifestada pelo Governo).
A “distorção salarial”, como lhe chama o economista, está a determinar que o salário mÃnimo nacional (atualmente de 665 euros) represente uma proporção cada vez maior do salário médio, tendo já atingido 67,3% da remuneração média.
“Este facto está a transformar Portugal num paÃs de salários mÃnimos, pois um número cada vez maior de trabalhadores recebe apenas aquele salário”, afirma o economista consultor da CGTP.
Segundo Eugénio Rosa, “tem-se assistido nos últimos anos a uma grande preocupação polÃtica em aumentar o salário mÃnimo nacional, descurando a atualização dos salários dos trabalhadores mais qualificados, o que está a provocar fortes distorções salariais no paÃs e a transformar Portugal num paÃs em que cada vez mais trabalhadores recebem apenas o salário mÃnimo ou uma remuneração muito próxima”.
A situação na Administração Pública, cujas remunerações estão praticamente congeladas desde 2009 “é dramática, sendo quase impossÃvel a contratação de trabalhadores altamente qualificados e com as competências que necessita”, salienta o economista.
No estudo, Eugénio Rosa refere que no ‘site’ do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) estão 156 ofertas de emprego para engenheiros civis, eletrotécnicos, mecânicos, agrónomos, entre outros, “cujos salários oferecidos, na sua esmagadora maioria, variam entre 760 euros e 1.000 euros brutos”, ou seja, antes dos descontos para o IRS e para a Segurança Social.
“Como é que o paÃs assim pode reter quadros qualificados?”, questiona o economista, sublinhando que sem trabalhadores altamente qualificados o crescimento económico e desenvolvimento do paÃs serão impossÃveis.
Além disso, continua, “o paÃs despende uma parte importante dos seus recursos em formar nas universidades jovens altamente qualificados que depois o abandonam e vão contribuir para o desenvolvimento de outros paÃses, porque não encontram no seu paÃs remunerações e condições de trabalho dignas”.
Eugénio Rosa considera que “o que está a suceder no SNS [Serviço Nacional de Saúde] devia abrir os olhos aos polÃticos”, com médicos e enfermeiros “a trocar o SNS pelos grandes grupos privados de saúde, que os atraem oferecendo melhores remunerações e condições de trabalho”.
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