
Lisboa, 11 jul 2024 (Lusa) — Portugal é um dos 10 paÃses em que o declÃnio populacional poderá ser limitado ou mesmo estabilizar em tamanho nas próximas décadas, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) hoje divulgado.
O documento do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, intitulado “perspetivas da população mundial para 2024”, refere que entre os paÃses que deverão permanecer próximos do tamanho da sua população atual até 2054 estão Portugal, Espanha, a Alemanha, a Geórgia, Federação Russa e Uruguai.
No capÃtulo destinado à s populações, os dados apontam para que “para estes paÃses e áreas, a estabilização populacional pode criar oportunidades adicionais para erradicar a pobreza, expandir o acesso aos cuidados de saúde e à educação, promover a igualdade de género, melhorar os sistemas de proteção social, avançar para padrões de produção e consumo mais sustentáveis e adotar medidas para proteger o ambiente. e mitigar os efeitos negativos das alterações climáticas”.
“Isto, no entanto, exigirá que sejam adotadas polÃticas adequadas com base nas circunstâncias e prioridades especÃficas de cada paÃs”, alerta a ONU.
O documento destaca ainda que o progresso contÃnuo na redução da mortalidade, a única componente demográfica que se prevê contribuir positivamente para a mudança populacional neste grupo, resultou no aumento da esperança de vida à nascença.
Os dados referem que, a nÃvel de grupo, a esperança de vida aumentou de 70,9 anos em 1995 para 78,8 anos em 2024.
Em 2024, Hong Kong (Região Administrativa Especial da China), Japão e República da Coreia do Sul tinham os nÃveis mais elevados de esperança de vida à nascença (pelo menos 84 anos), no grupo e no mundo.
Portugal encontra-se entre os “outros paÃses com elevada esperança de vida à nascença”, a par de Itália e de Espanha, na Europa, e Guadalupe e Martinica, no Caribe.
Em contrapartida, a esperança de vida à nascença é a mais baixa na Jamaica e em São Vicente e Granadinas, na América Latina, e nas CaraÃbas, e na República da Moldávia, na Europa, com nÃveis inferiores a 72 anos.
“Prevê-se que estas diferenças diminuam, mas não desapareçam, nas próximas décadas”, diz a ONU.
As Nações Unidas acrescentam que nos paÃses onde os nÃveis de fertilidade já estão abaixo dos nÃveis de reposição, a emigração de pessoas em idade reprodutiva pode contribuir para um maior declÃnio populacional.
“Em 62 por cento dos paÃses e áreas do grupo que já registam baixos nÃveis de fertilidade, a emigração poderá contribuir para reduzir ainda mais a dimensão da população entre agora e 2054”, lê-se.
A migração internacional também tem um impacto indireto no número de nascimentos nos paÃses de destino e nos paÃses de origem. Em paÃses como a Albânia, a Arménia, Guadalupe ou a Jamaica, a emigração de um grande número de mulheres em idade reprodutiva pode reduzir o número de nascimentos que ocorrem nesses locais, enquanto em outros, como Portugal, a Federação Russa ou Espanha a imigração tem o efeito oposto.
Numa perspetiva demográfica, os nascimentos “perdidos na emigração” ou “obtidos através da imigração” têm consequências tanto a curto como a longo prazo, uma vez que as raparigas nascidas hoje são as mulheres em idade reprodutiva da próxima geração.
Em paÃses com elevadas taxas de emigração, a criação de mais oportunidades de trabalho digno e a promoção da migração de retorno podem ser abordagens a explorar e podem ser mais eficazes para abrandar o declÃnio populacional no curto prazo do que polÃticas destinadas a aumentar os nÃveis de fertilidade, conclui o documento.
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