Portugal é o país convidado de honra nas Jornadas do Património de Sharjah 2026

Lisboa, 03 fev 2026 (Lusa) — Portugal é o país convidado de honra das Jornadas do Património de Sharjah, que decorrem entre 04 e 15 de fevereiro, nos Emirados Árabes Unidos, onde apresentará cinema, música, artesanato e tradições nacionais, sob o conceito “Património como aventura”.

Segundo o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, “a participação portuguesa destaca o património como prática viva e em permanente reinvenção, cruzando artes, saber-fazer, pensamento e criação contemporânea, sob o conceito ‘Portugal: Património como aventura'”.

As Jornadas do Património de Sharjah são organizadas pelo Sharjah Institute for Heritage, com apoio institucional do Emirado de Sharjah, e constituem um dos principais eventos internacionais dedicados ao património cultural no Médio Oriente.

Naquela que é a sua 23.ª edição, subordinada ao tema “Radiance of Authenticity” (“O Brilho da Autenticidade”), Portugal foi escolhido como país convidado de honra, no âmbito das comemorações dos 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países (1976–2026) e em resultado de “um percurso de cooperação cultural, académica e patrimonial desenvolvido ao longo da última década, em particular com o Emirado de Sharjah”, explicou a tutela, em informação enviada à Lusa.

A curadoria é de Paulo Pires do Vale, responsável pela narrativa “Portugal: Heritage as an Adventure” e pela coerência entre exposição, ‘workshops’, ‘performances’, conversas e cinema, enquanto a arquitetura do Pavilhão de Portugal é da autoria de Manuel Aires Mateus e o design e identidade gráfica de José Albergaria.

Segundo o ministério de Margarida Balseiro Lopes, a participação portuguesa estrutura-se em torno de dois eixos: “o património como prática viva e em reinvenção”, e “a influência islâmica em Portugal”, como dimensão estruturante da identidade cultural portuguesa.

Assim, a narrativa curatorial sublinha Portugal como “terra de encontros” e aborda “o legado islâmico presente na cultura portuguesa” — por exemplo, na arquitetura, nos padrões decorativos, na linguagem e na memória cultural – como herança partilhada, convertida em experiências acessíveis ao público local e internacional.

A programação cruza exposições, concertos, espetáculos, um ciclo de cinema, conferências e ‘workshops’, valorizando a transmissão de saber-fazer e o diálogo entre linguagens tradicionais e contemporâneas.

O Pavilhão de Portugal constitui o centro da presença portuguesa e acolhe a exposição “A Short History of Azulejo in Portugal”, conteúdos audiovisuais sobre o património cultural português e a maioria dos ‘workshops’ e atividades participativas, organizados em torno de uma mesa central associada à ideia de hospitalidade e encontro.

A programação estende-se ainda a outros espaços das jornadas, incluindo espetáculos pela cidade, um palco dedicado a ‘performances’ noturnas, uma sala de cinema próxima do pavilhão e ‘workshops’ ao ar livre.

No âmbito da programação musical (performances e concertos) participam, entre outros, os Pauliteiros de Miranda, Cantares de Manhouce, Alentejo Cantado, Edgar Valente, AL-GARB (Acácio Barbosa) e Meta_ (Mariana Bragada).

As conferências contam com intervenções de Raj Isar e Inês Câmara, da Aga Khan Foundation, sobre património, educação e herança islâmica; Tiago Pereira, sobre salvaguarda e documentação do património musical popular; Mário Varela Gomes, Alexandre Monteiro e Rosa Varela Gomes, sobre Portugal nos Emirados Árabes Unidos, com enfoque na arqueologia; Rosário Salema de Carvalho, sobre história e património do azulejo; e Maria do Céu Ramos, sobre Évora 2027, e o legado e internacionalização cultural.

O eixo da programação ligado ao artesanato dá centralidade ao património de “mãos e conhecimento”, com demonstrações e participação do público em ofícios como bordados da Madeira, tecelagem tradicional, rendas de bilros, palitos de Lorvão, pintura de azulejos e guitarra portuguesa.

O programa de cinema é apresentado pela Cinemateca Portuguesa e organiza-se em torno dos temas “Trabalho, Mar, Tradição e Arte”.

A programação portuguesa decorre, em regra, entre as 16:00 e as 22:00, estendendo-se até às 23:00 aos fins de semana, e inclui diariamente uma conversa com o público ou uma oficina, um momento de tradição vocal ou ‘performance’ patrimonial e um concerto de criação contemporânea com raiz tradicional.

As jornadas realizam-se de forma descentralizada em sete localidades do Emirado de Sharjah – Sharjah, Khor Fakkan, Kalba, Dibba Al Hisn, Mleiha, Al Dhaid e Al Hamriyah — e contam com a participação de 27 países, com mais de 265 artesãos, 40 ofícios tradicionais, 41 grupos folclóricos, 1.173 apresentações e 307 ‘workshops’.

As relações culturais entre Portugal e os Emirados Árabes unidos, estabelecidas formalmente em 1976, têm vindo a ser progressivamente aprofundadas.

A relação entre Portugal e Sharjah materializou-se, nos últimos anos, em projetos de cooperação cultural e científica, nomeadamente em 2025 com a digitalização da Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, através da criação da Biblioteca Joanina Digital, e a criação do Centro de Estudos Árabes da Universidade de Coimbra, em parceria com a Sharjah Book Authority.

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