
Lisboa, 20 jul 2026 (Lusa) — Portugal registou em 2025 máximos históricos de transplantes cardÃacos e pulmonares, anunciou hoje a presidente da Sociedade Portuguesa da Transplantação (SPT), alertando que a escassez de órgãos representa o principal desafio nesta área.
Cristina Jorge adiantou à Lusa que de um total de 948 transplantes realizados em 2025 no paÃs, 70 foram cardÃacos e 90 pulmonares, um recorde que veio comprovar que “foi um bom ano” ao nÃvel da transplantação, mas também da colheita de órgãos.
No Dia Nacional da Doação e da Transplantação que hoje se assinala, a médica referiu que no último ano houve 370 dadores e foram colhidos 877 órgãos provenientes de dadores falecidos, um número que se mantém, porém, insuficiente para dar resposta à lista de espera de doentes que esperam um transplante nas várias áreas.
“Nos últimos anos, os números têm sido elevados, mas não cobrem ainda todas as necessidades”, salientou a presidente da SPT, apontando o exemplo dos transplantes renais, os mais efetuados em Portugal, mas que têm uma lista de espera que tem variado entre os 1.800 e os 1.900 doentes nos últimos anos.
Em 2025 foram feitos em Portugal um total de 525 transplantes renais, dos quais 88 de dadores vivos, o que representou também o maior número de sempre de transplantes renais de dador vivo em Portugal, avançou Cristina Jorge, reconhecendo que “o principal funil” é a falta de órgãos para dar resposta a todos os doentes que necessitam de um transplante.
A presidente da SPT salientou que a transplantação implica também um processo logÃstico de transporte que envolve a colaboração de várias entidades, como o INEM, a Força Aérea e as forças de segurança, que começa com a identificação de um possÃvel dador.
“Há uma rede que funciona toda para o mesmo fim”, realçou a médica, para quem os resultados que têm sido alcançados nesta área devem-se também “à bravura e à resiliência” dos profissionais de saúde que estão no terreno, até porque em causa estão doentes muito complexos do ponto de vista do seguimento médico.
A presidente da SPT alertou ainda que muitos doentes continuam a ser seguidos nas unidades de saúde onde foram transplantados, o que por vezes obriga a que tenham de percorrer longas deslocações apenas para fazer uma análise especÃfica ou um exame médico.
“Facilitava muito se o seguimento dos doentes pudesse ser descentralizado”, permitindo a realização de exames junto à s suas áreas de residência nos setores público ou privado, defendeu Cristina Jorge, que reconheceu que formar profissionais nos hospitais mais periféricos com esse fim “é exigente e demora tempo”.
Como um dos grandes desafios dessa área, a presidente da SPT elencou a necessidade de melhorar a qualidade dos órgãos após a colheita, o que pode ser feito com a inovação tecnológica já disponÃvel, permitindo que um órgão que antes seria descartado possa ser elegÃvel para transplantação.
Para assinalar o Dia Nacional da Doação e da Transplantação, a SPT vai promover hoje no Porto uma sessão que contará com testemunhos de dadores e pessoas transplantadas, incluindo de uma médica que foi dadora de um rim.
“É importante que a sociedade esteja ciente desta realidade e que todos possamos trabalhar para um bem comum que é a doação e a transplantação, que é uma possibilidade de vida que se dá a quem dela precisa”, realçou Cristina Jorge.
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