População de aldeia de Mocímboa da Praia receia movimento de insurgentes

Pemba, Moçambique, 20 jul 2026 (Lusa) – Residentes de Mbau, no distrito de Mocímboa da Praia, província moçambicana de Cabo Delgado, denunciaram hoje a circulação de supostos insurgentes em zonas agrícolas, levando ao abandono dos campos de produção por receio de ataques.

Segundo fontes locais, a movimentação dos rebeldes já acontece desde maio, período coincidente com a colheita do milho, condicionando o acesso dos camponeses às machambas (campos agrícolas), agravando-se nas últimas semanas.

“Há muita movimentação de terroristas nas machambas e isso afetou-nos muito”, disse à Lusa uma fonte da povoação, a partir de Mocímboa da Praia.

De acordo com as mesmas fontes, alguns camponeses abandonaram a zona por recearem novos ataques.

Embora não haja registo de vítimas mortais, a presença dos supostos insurgentes em Mbau, localidade situada a mais de 30 quilómetros de Chinda, ao longo da estrada Nacional 380, uma das principais vias asfaltadas da região, está a preocupar os residentes.

Rica em gás, a província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) registou 11 eventos violentos nas duas primeiras semanas de junho na província moçambicana de Cabo Delgado, todos envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.632 os óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da ACLED, com dados de 01 a 14 de junho, dos 2.408 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.224 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

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