
Praia, 09 fev 2026 (Lusa) — Um relatório sobre a população estrangeira em Cabo Verde revelou hoje que, desde 2010, a população asiática tem crescido de forma contínua, sendo o único grupo regional sem quebras, e os africanos continuam a liderar em termos de proveniência.
“O relatório destaca o aumento da população estrangeira e a proveniência é maioritariamente dos países africanos”.
Há também “uma certa diversificação a partir de 2010. Até esta altura, os dados eram maioritariamente de imigrantes que vinham do continente africano e do continente europeu. A partir daí, os asiáticos começam a aumentar e é o único grupo em termos de proveniência regional que não tem quebra ao longo desses 20 anos”, afirmou a presidente da Alta Autoridade para a Imigração (AAI), Carmem Barros.
ESra responsável falava na cidade da Praia, à margem da reunião do Conselho Nacional da Imigração (CNI), que incluiu a apresentação do segundo relatório sobre a População Estrangeira e Imigrante (REPEI).
Segundo o documento, o grupo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) é o maior em termos de proveniência regional, enfrentando problemas relacionados com a permanência regular.
O documento aponta ainda que, em 2000, havia 4.661 estrangeiros no país, número que subiu para 10.875 em 2021, principalmente da Guiné-Bissau, Senegal, Portugal, São Tomé e Príncipe e Angola.
Entre 2020 e 2024, foram emitidos 3.892 vistos e 12.542 títulos de residência, além de 3.375 nacionalidades concedidas, sobretudo a cidadãos do Senegal, Nigéria, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Portugal.
O relatório inclui ainda informações sobre acesso à segurança social, educação e formação profissional, permitindo acompanhar a evolução da população estrangeira e os efeitos de medidas como a regularização extraordinária de 2022.
A AAI e o Governo têm destacado a necessidade de reforçar a integração e a permanência regular dos imigrantes.
Para responder a este desafio, foi lançado no mesmo evento um projeto para fomentar a integração, permanência regular, atividade económica e participação social de imigrantes de países da CEDEAO em Cabo Verde.
O ministro da Família, Fernando Elísio Freire, que presidiu à abertura do evento, considerou que Cabo Verde está na linha da frente na integração e acolhimento de imigrantes.
Questionado sobre a predominância de trabalhadores imigrantes no setor informal e sobre o facto de os africanos enfrentarem piores condições, como indicava um estudo de outubro de 2025, o governante disse que têm ocorrido melhorias e crescente formalização.
“É um trabalho que temos de continuar para termos uma economia cada vez mais formal, especialmente na questão da segurança social, permitindo que micro e pequenas empresas se integrem no regime”, explicou.
Sobre a possibilidade de criar uma via verde para captar mão de obra estrangeira, face à escassez em setores como construção civil e agricultura, o ministro afirmou que “é uma matéria que está a ser trabalhada”.
“Cabo Verde é um país que tudo faz para integrar bem, para receber bem. É neste quadro que nós temos estado a atuar”, concluiu.
Em abril de 2025, Elísio Freire tinha alertado para um défice significativo de mão de obra em setores fundamentais e defendeu a necessidade de preparar o país para acolher imigrantes, especialmente da CEDEAO.
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