
As mais recentes ameaças do presidente eleito Donald Trump de impor uma tarifa geral de 25% sobre os produtos canadianos importados para os Estados Unidos da América (EUA), a partir de 20 de janeiro, o seu primeiro dia no cargo, suscitam divergências nas relações entre os dois países, nomeadamente a nível político.
Trump afirmou que a única forma de evitar as tarifas é se o Canadá travar o fluxo de droga e de migrantes na fronteira e se comprometer com 2% das despesas de defesa da NATO.
Durante semanas, Trump também gozou com o Canadá, referindo-se ao primeiro-ministro como “governador Justin Trudeau” e chamando ao Canadá “o 51.º estado”.
Numa publicação recente nas redes sociais, o filho de Trump, Eric, partilhou uma imagem editada do seu pai a comprar o Canadá na Amazon, juntamente com a Gronelândia e o Canal do Panamá.
Em reação à demissão de Trudeau, Trump sugeriu que isso era um sinal de que o país não está bem sozinho, reforçando a ideia de anexação.
Apesar de a maior parte das autoridades canadianas ignorar os insultos de Trump, mesmo levando as ameaças a sério, o premier de Ontário não fica indiferente.
Doug Ford afirmou que o Canadá não é culpado pelos problemas económicos dos EUA e que, em vez disso, aponta o dedo à China por enviar e distribuir “peças baratas” através do México. Ford afirmou ainda que a forma de resolver esta questão é através de um acordo bilateral com os EUA e não através de tarifas mais elevadas.
Além disso, Ford reagiu aos comentários irónicos de Trump, dizendo que o Canadá compraria o Alasca e dois outros estados em resposta às frequentes provocações de Trump sobre tratar o país como um estado dos EUA, confessando mais tarde ter feito esses comentários em tom de brincadeira.
Ford sublinhou ainda que os comentários de Trump já são suficientes, alegando que o presidente eleito dos EUA está a ser irrealista. Ford acrescentou que leva todas as brincadeiras de Trump muito a sério e que, se depender dele, o Canadá nunca será um estado dos EUA.
Ford disse também que, apesar da turbulência política, espera que os funcionários federais se mantenham concentrados na ameaça das tarifas.
Entretanto, Justin Trudeau também reagiu às constantes provocações de Donald Trump, após o presidente eleito nos EUA ter ameaçado forçar a fusão entre os países com recurso à “força económica” a 7 de janeiro. O primeiro-ministro canadiano referiu que a probabilidade do Canadá se tornar um estado dos EUA é a mesma que surgirem bolas de neve nas chamas do inferno.
Também Mélanie Joly, ministra das Relações Exteriores, também se pronunciou em relação à mais recente ameaça de Trump. Joly referiu que os comentários de Trump mostram uma falta de compreensão do presidente eleito do que torna o Canadá um país forte, sublinhando que o país não vai recuar com as ameaças.
