
Luanda, 12 dez 2022 (Lusa) — O ministro do Interior de Angola informou hoje, em Luanda, que o polÃcia que matou a tiro uma vendedora ambulante, na sexta-feira, está detido, e refutou excessos na atuação policial.
Eugénio Laborinho reagiu hoje à morte de uma ‘zungueira’, na sexta-feira, no distrito urbano da Maianga, provÃncia de Luanda, quando efetivos dos serviços de fiscalização tentavam ordenar a venda naquele local.
O governante angolano considerou que não há excessos na atuação da polÃcia, mas sim o desrespeito da população pela polÃcia.
“Não há excesso da polÃcia, a nossa sociedade é que tem que respeitar, porque um órgão de polÃcia, um policial em pleno exercÃcio das suas funções tem que ser respeitado, porque é um agente policial que está aà para manter a ordem e a segurança públicas e qualquer um desses cidadãos sabe que a polÃcia está aà a cumprir o seu papel”, disse Eugénio Laborinho.
O titular da pasta do Interior defendeu a necessidade do resgate de valores, num trabalho conjunto entre as autoridades e os cidadãos.
“O resgate de valores é que tem que ser respeitado e voltar, porque é um trabalho conjunto, porque um polÃcia é um cidadão, o polÃcia vem do povo, é filho de um cidadão normal, ele vem do nÃvel camponês, operário, intelectual, etc”, afirmou.
Segundo o ministro, a polÃcia nacional angolana é moderna, realçando que todos os anos é feito um trabalho do ponto de vista cÃvico e patriótico dos polÃcias.
“Não podemos negar que não haja de facto um ou outro excesso, mas também, tendo em conta algumas nuances no meio de tudo isso, a nossa população tem que respeitar a polÃcia”, frisou.
“Abrimos um inquérito para poder apurar a responsabilidade daquilo que ocorreu, só apelamos à nossa população para ter um bocado de mais calma e que respeite as autoridades policiais, respeitar a ordem”, acrescentou.
Para o ministro do Interior angolano, “não é aceitável que uma vendedora ambulante venda no passeio, venda nas pedonais, nas pontes aéreas”.
“Então nós temos que manter a ordem, e vamos ser um bocado contundentes nisso, porque o paÃs tem que ter ordem. Se não tiver ordem não sei onde é que estamos, não podemos copiar paÃses africanos que nós conhecemos (…), por exemplo, não podemos chegar ao ponto de uma cidade de Lagos [Nigéria], não é possÃvel isso. Angola é diferente, Angola é Angola, Luanda, Cabinda, Malanje, etc. cada um sabe o seu papel”, sublinhou.
Eugénio Laborinho confirmou a morte de uma pessoa no incidente, desmentindo informações que teriam morrido mais pessoas.
“Isto é falso, é preciso ter em conta que o polÃcia está armado, do ponto de vista psicológico uma pessoa que é agredida, que lhe pegam na farda, rasgam-lhe a farda, pode perder o sentido, é bom que se cuide isto para não haver exageros, porque um polÃcia armado, muitas vezes pode ser um homem amado, querido, à s vezes perde o sentido”, salientou.
“É preciso ter cuidado, esse é um trabalho profundo que nós temos estado a levar a cabo junto dos nossos centros de instrução sobretudo e também dizer que, muitas vezes, os nossos policiais sabem como lidar com o povo, nós temos exemplos, e também o povo tem que saber lidar com os policiais, são filhos”, apelou.
Eugénio Laborinho disse que o inquérito foi instaurado no mesmo dia da morte, que o polÃcia está detido e que as autoridades vão ajudar a famÃlia da vÃtima, nomeadamente com o funeral.
“Sobretudo vamos ajudar no óbito, vamos cumprir com todos os formalismos, preparar as condições de dar a ajuda necessária para que o Ministério do Interior, a PolÃcia Nacional, cumpra com todos esses pressupostos do ponto de vista social, para que, de facto, honremos com o compromisso e a senhora que foi vÃtima desse incidente seja enterrada condignamente”, referiu.
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