
Maputo, 13 nov 2023 (Lusa) — A polÃcia moçambicana deteve dois homens em flagrante, na quinta-feira, quando pretendiam raptar um empresário na cidade de Maputo, sul de Moçambique, e obteve uma lista de pessoas a raptar, anunciou hoje fonte da corporação.
A detenção ocorreu por volta das 12:00 na baixa da cidade de Maputo, capital moçambicana, quando um grupo de seis pessoas estava prestes a raptar um empresário moçambicano de origem indiana, disse Hilário Lole, porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) na cidade de Maputo.
Do grupo, quatro pessoas são de nacionalidade moçambicana e duas sul-africana, avançou o Sernic.
“Destes seis foi possÃvel neutralizar, no local, dois indivÃduos que por sinal são pai e filho, um de 59 anos e outro de 28”, referiu Hilário Lole, acrescentando que um dos supostos raptores estava em liberdade condicional, após ter sido condenado a 17 anos de prisão, em 2012, pela prática do mesmo tipo de crime.
Junto dos dois homens foram também apreendidas duas viaturas e obtidas “imagens de várias vÃtimas de raptos que iriam ocorrer após a execução” do rapto frustrado pela polÃcia moçambicana na quinta-feira.
“No âmbito da sua detenção foi possÃvel colher várias informações de raptos ocorridos no passado, assim como raptos a serem executados”, disse o porta-voz, referindo que as informações obtidas vão ajudar a “esclarecer os diversos casos de raptos que já ocorreram”, assim como a prevenir “os futuros casos” na lista dos detidos.
Segundo o porta-voz do Sernic, a polÃcia está a desenvolver ações visando garantir a proteção do empresário que escapou ao rapto e da sua famÃlia.
“Queremos acreditar que com esse trabalho será possÃvel termos uma certa acalmia por esses dias para essa prática dos crimes de rapto” a avaliar “pelo trabalho que está sendo feito pelo Sernic em coordenação com as diversas forças no terreno e com a congénere sul-africana”, acrescentou Hilário Lole.
A polÃcia moçambicana disse, na quinta-feira, que o empresário Juneide Lalgy foi alvo de uma perseguição por desconhecidos, ocorrida no dia 08, na cidade da Matola, provÃncia de Maputo, tendo conseguido fugir até à sua empresa.
Após a ocorrência, a vÃtima apresentou uma queixa na 1.ª Esquadra da PolÃcia da República de Moçambique, na cidade da Matola, indica-se numa nota da polÃcia.
Há 13 dias, uma jovem luso-moçambicana, de 26 anos, foi raptada por três homens armados em Maputo, quando saÃa de sua casa.
Em contacto com a Lusa no dia 08, o porta-voz Sernic na cidade de Maputo disse que “se está ainda a trabalhar” para esclarecer o caso, referindo ser “ainda prematuro” avançar qualquer informação sobre o rapto da jovem.
Contactado pela Lusa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português disse que estava a acompanhar o caso, junto das autoridades moçambicanas.
No mesmo dia, o diretor do Sernic, Nelson Rego, reiterou que a instituição está “determinada” na criação de uma unidade especializada no combate aos raptos, alertando para a necessidade de “purificar” as fileiras da polÃcia.
Algumas cidades moçambicanas, principalmente as capitais provinciais, voltaram a ser afetadas desde 2020 por uma onda de raptos, visando principalmente empresários ou seus familiares.
O primeiro-ministro de Moçambique, Adriano Maleiane, anunciou no parlamento, em maio último, que foram já selecionados os agentes que vão trabalhar numa unidade especial de combate aos raptos que afetam as principais cidades do paÃs.
“A primeira fase, já finalizada”, da criação da unidade de combate aos raptos, “consistiu na seleção dos agentes” e a etapa seguinte será a especialização do efetivo e contará com o apoio dos parceiros de cooperação, especificou então.
De acordo com um balanço apresentado pelo chefe do Governo moçambicano na altura, desde 2021 foram registados em Moçambique 28 casos de rapto, dos quais, “15 foram totalmente esclarecidos”.
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