Polícia moçambicana apreende 1.400 sacos de carvão com destino à África do Sul

Maputo, 16 mar 2026 (Lusa) — As autoridades moçambicanas detiveram duas pessoas na posse ilegal de 1.400 sacos de carvão vegetal na província de Maputo, sul de Moçambique, avançou hoje a polícia, que suspeita que o produto tinha como destino a África do Sul.

Os dois homens foram interpelados pelas autoridades quando transportavam o produto num camião, tendo sido retidos na primeira esquadra de Beluluane, no Posto Administrativo de Matola-Rio, no distrito de Boane, disse à comunicação social a porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) na província de Maputo, Carmínia Leite.

“Há fortes suspeitas que os mesmos queriam transportar este referido produto para a vizinha África do Sul. Neste momento, o camião encontra-se parqueado nessa esquadra”, explicou a responsável, assegurando estarem em curso investigações para “aferir a veracidades dos factos”.

Carmínia Leite adiantou que foram acionadas outras instituições que lidam com a área de conservação na província.

Em 03 de fevereiro, a Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental apreendeu, na província e cidade de Maputo, 150 sacos de carvão vegetal frutos de exploração ilegal de florestas, com as autoridades moçambicanas a prometerem mais esforços para defender o meio ambiente.

Em comunicado, a agência avançou que a viatura pesada foi intercetada na manhã daquele dia, no âmbito das ações de fiscalização florestal rotineiras na cidade e província de Maputo, sendo que o transporte era efetuado “sem a devida documentação legal, configurando uma situação de ilegalidade”.

Segundo a Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental, no momento da interpelação, os ocupantes da viatura colocaram-se em fuga, tendo abandonado o veículo na via pública.

Em dezembro, a Lusa noticiou que Moçambique perde anualmente 500 milhões de dólares (424,3 milhões de euros) em práticas “insustentáveis” no setor florestal, como a exploração madeireira ilegal e a agricultura de corte e queima, estimou o Forest Stewardship Council (FSC).

De acordo com um comunicado daquela Organização Não-Governamental (ONG), que promove a gestão florestal responsável em todo o mundo, o setor florestal sustenta milhões de moçambicanos rurais através da madeira, carvão vegetal, emprego e outras atividades florestais.

Em agosto de 2024, o Procurador-geral moçambicano disse que o país vai deixar os “discursos inconsequentes” e avançar com medidas punitivas contra fiscais envolvidos no desflorestamento e exploração ilegal de recursos florestais.

A Lusa noticiou em março do ano passado que o Governo moçambicano previa na altura contratar 750 fiscais este ano para os portos, postos fronteiriços e áreas de conservação.

 

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