
Maputo, 24 fev 2025 (Lusa) — Um grupo desconhecido disparou, na madrugado de domingo, contra a casa do assessor do polÃtico moçambicano Venâncio Mondlane, avançou hoje à Lusa fonte policial, acrescentando que estão em curso operações para o esclarecimento do caso.
“Estamos em diligências para aferir o que realmente aconteceu, peso embora a vÃtima ainda não se tenha feito presente a nossa subunidade para prestar queixa e, eventualmente, avançar com alguns detalhes que sejam da sua posse. Mas estamos em linhas operativas para o esclarecimento”, declarou à Lusa Leonel Muchina, porta-voz da PolÃcia da República de Moçambique (PRM) em Maputo.
O caso terá sido registado por volta das 02:30 de domingo na residência de Dinis Tivane, num dos bairros da capital moçambicana, e os disparos terão sido efetuados por um grupo que se fazia transportar numa carinha Toyota.
Imagens feitas e divulgadas pelo próprio Tivane na sua rede social Facebook mostram diversas marcas das balas que atravessaram o portão, atingindo as paredes da garagem da residência.
“Nós estamos ávidos a esclarecer, mas só queremos colaboração para permitir celeridade na investigação. Ainda estamos a diligenciar, estamos a fazer cruzamento de informações e reconstituições dos factos”, acrescentou o porta-voz da polÃcia moçambicana.
Numa nota de repúdio na rede social Facebook, Venâncio Mondlane avançou que, durante a incursão do grupo, a famÃlia de Tivane não se encontrava em casa, num episódio pelo polÃtico classificado como “intimidação polÃtica”.
“Foram 24 tiros atingindo portões e a área interna da garagem, num claro ato de intimidação polÃtica (…) Nenhuma bala, nenhuma ameaça nos fará recuar”, acrescenta o ex-candidato presidencial.
Em 19 de outubro, Elvino Dias, advogado de Venâncio Mondlane, e Paulo Guambe, mandatário do partido Podemos, formação polÃtica que apoiava Mondlane nas últimas eleições, foram mortos a tiro numa “emboscada” na avenida Joaquim Chissano, centro da capital, confirmou, na altura, à Lusa, a polÃcia moçambicana.
Após o duplo homicÃdio, Mondlane convocou a realização de marchas em Moçambique, que foram dispersas com tiros para o ar e gás lacrimogéneo em Maputo.
Desde o episódio, Moçambique vive um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações.
Atualmente, os protestos, agora em pequena escala, têm estado a ocorrer de forma independente em diferentes pontos do paÃs e, além da contestação aos resultados, os populares queixam-se do aumento do custo de vida e de outros problemas sociais.
Desde outubro, pelo menos 327 pessoas morreram, incluindo cerca de duas dezenas de menores, e cerca de 750 foram baleadas durante confrontos entre a polÃcia e os manifestantes, de acordo com a plataforma eleitoral Decide, organização não-governamental que acompanha os processos eleitorais.
EAC // ANP
Lusa/Fim



