
São Paulo, Brasil, 20 out 2023 (Lusa) – A polÃcia brasileira iniciou hoje uma operação para investigar a alegada espionagem contra milhares de pessoas, que inclui desde juÃzes e polÃticos a jornalistas e que pode ter ocorrido durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Já foram detidos dois membros da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), organização estatal a partir da qual foi realizada a alegada prática de espionagem, através da escuta ilegal de milhares de telefones, segundo as autoridades locais.
“De acordo com as investigações, o sistema de geolocalização utilizado pela Abin é um software intrusivo na infraestrutura crÃtica de telefonia brasileira. A rede de telefonia teria sido invadida reiteradas vezes, com a utilização do serviço adquirido com recursos públicos”, lê-se num comunicado emitido pela PolÃcia Federal brasileira.
A polÃcia brasileira suspeita que há indÃcios de que essas supostas atividades ilegais foram dirigidas contra funcionários públicos, polÃticos, polÃcias, advogados, jornalistas, juÃzes e até mesmo alguns juÃzes do Supremo Tribunal Federal (STF).
A espionagem terá sido realizada através de sistemas avançados que o Brasil adquiriu em 2018 da empresa israelita Cognyte, e pode ter tido o objetivo de monitorar todas as atividades daqueles que o Governo considerava como adversários e “inimigos polÃticos”, como o próprio Bolsonaro costumava descrevê-los.
A PolÃcia Federal brasileira esclareceu que o ex-presidente não é alvo de investigação neste assunto, que começou a ser veiculado há mais de um ano, quando Bolsonaro ainda estava no Governo.
Bolsonaro foi derrotado nas eleições de outubro do ano passado pelo atual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e responde por vários processos, incluindo um em que é suspeito de ter encorajado o motim de 08 de janeiro, quando milhares de ‘bolsonaristas’ atacaram as sedes dos três poderes, com a intenção de levar as Forças Armadas a derrubar o Governo atual.Â
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