Poder de Trump e dos republicanos em jogo com ‘midterms” de 03 de novembro

Lisboa, 27 out 2026 (Lusa) – As eleições legislativas norte-americanas de 03 de novembro deverão ser marcadas pelo habitual ‘castigo’ do eleitorado à administração em funções, mas para Donald Trump e os republicanos poderão ser o fim do domínio absoluto nas instituições políticas.

Em jogo estão todos os 435 lugares na Câmara dos Representantes, 35 dos 100 postos no Senado (a câmara alta do Congresso) e 36 estados elegem o governador.

Na câmara baixa, os republicanos têm atualmente uma maioria pouco confortável, com 218 congressistas no limiar da maioria, mas estados como o Texas, Ohio ou Iowa estão recorrentemente nas sondagens como volúveis a uma mudança que poderá alterar o equilíbrio de forças.

No Senado, os republicanos têm 53 senadores contra 45 democratas e dois independentes.

Se o Partido Democrata, que tem 214 congressistas, conseguir ‘virar’ a Câmara dos Representantes, o Senado, ou ambos, terá na mão o controlo da agenda legislativa e poderá lançar iniciativas contra Trump, desde investigações a um processo de destituição, que o atual presidente já enfrentou duas vezes, mas que nunca passou no Senado, onde é necessária uma maioria de 65 votos.

A tendência nas sondagens parece favorecer os democratas, que nos últimos meses têm aparecido com vantagem sobre os republicanos. Nas intenções de voto medidas pelo site realclearpolling.com, que reúne várias sondagens diferentes e faz uma média, os democratas surgem com mais de 51% e os republicanos se ficam perto dos 43%.

Mas aos democratas não bastará terem mais votos, precisam de uma vitória expressiva.

Se acontecer, Trump ver-se-á até ao fim do mandato, em 2028, no papel de Presidente “lame duck” (literalmente “pato coxo”), incapaz de combater uma maioria hostil no Congresso.

Independentemente das contas após dia 03 de novembro, sondagens recentes indicam que os norte-americanos votarão com o bolso: uma consulta da agência Associated Press e do centro de sondagens NORC da semana passada indicava que 80% dos votantes, quer democratas quer republicanos, querem uma redução do custo de vida e mais de um quarto do eleitorado está descontente com a política económica da administração.

Essa queixa liga-se a outra pretensão de grande parte dos eleitores, 70%, que querem o fim da guerra de Trump contra o Irão, que se reflete na economia pelo aumento do preço dos combustíveis que provocou.

A guerra contra o regime de Teerão vai ainda contra a atitude não-intervencionista com que Donald Trump conquistou o seu eleitorado em matéria de política externa.

Quase 50% pretende uma “mudança substancial” na maneira como o país é governado e mais de um terço defende uma mudança radical.

A taxa de aprovação geral do trabalho de Donald Trump como Presidente, medida por uma sondagem da CNBC, situa-se nos 40%, subindo alguns pontos nos últimos meses de números historicamente baixos, especialmente entre os eleitores de estados mais rurais, como o Iowa ou o Ohio.

O combate de Trump à imigração ilegal tem dominado a política norte-americana no último ano, com mais de 54% dos americanos descontentes com a caça aos imigrantes promovida por Trump, de acordo com o realclearpolling.com. As rusgas da polícia de imigração e fronteiras ICE, marcadas por imagens chocantes de pessoas agarradas na rua por agentes fortemente armados e de cara tapada, fizeram virar a opinião de muitos eleitores que até defendiam o fecho da fronteira, escancarada durante a administração Biden.

Outro tema a dominar a campanha é o dia seguinte às eleições e o que fará Trump se confrontado com uma derrota. O republicano queixa-se ainda hoje da alegada “eleição roubada” em que perdeu para Joe Biden em 2020 e tentou no mês passado restringir o voto por correspondência, enfrentando a oposição do Supremo Tribunal americano. Trump voltou a dar outro sinal de que poderá contestar a eleição, ao ordenar ao Departamento de Justiça que recorra aos tribunais para impugnar o resultado da eleição no estado do Alaska se o candidato democrata ganhar.

A inteligência artificial surgiu também como tema importante da campanha, uma vez que, de acordo com uma sondagem da CBS News, mais de metade dos americanos a veem como uma ameaça aos humanos e 60% quer ver limitações à construção de centros de dados, pelo consumo de água e eletricidade que representam.

O próprio Trump respondeu a esta preocupação defendendo que as empresas que constroem centros de dados sejam responsáveis por gerar a sua própria energia.

A uma semana das eleições, cerca de 30 milhões de americanos já votaram antecipadamente. Em muitos estados, vota-se também para eleger procuradores-gerais e outros cargos estaduais.

APN // MDR

Lusa/fim