
Kiev, 12 nov 2022 (Lusa) — O primeiro-ministro ucraniano apelou a mais ajuda militar, especialmente baterias de mÃsseis ‘Patriot’ e outros sistemas de defesa antiaérea, para combater os ataques da Rússia, que voltou hoje a bombardear regiões no leste da Ucrânia.
Em declarações à cadeia de rádio francesa LCI, Denys Shmyhal disse que a Rússia quer “inundar a Europa com uma nova onda de refugiados ucranianos” ao visar as infraestruturas energéticas do paÃs, o que tem provocado e provocará no inverno falhas no abastecimento de energia elétrica e de água a milhões de pessoas.
Segundo refere a agência noticiosa Associated Press (AP), o fornecimento de mÃsseis terra-ar ‘Patriot’ para a Ucrânia marcaria “um grande avanço” nos modelos de sistemas de defesa aérea que o Ocidente está a enviar para ajudar um paÃs devastado pela guerra a defender-se dos ataques aéreos russos.
Até agora, acrescenta a AP, nenhum paÃs os ofereceu, embora a Alemanha tenha fornecido mÃsseis ‘Patriot’ à vizinha Polónia, aliada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).
Milhões de ucranianos já fugiram do paÃs desde que a invasão russa começou, a 24 de fevereiro, e há o receio de que muitos mais possam deixar as suas casas durante o inverno.Â
Milhares de pessoas morreram e dezenas de cidades e vilas em toda a Ucrânia foram reduzidas a escombros durante os mais de nove meses de ataques russos.
A Ucrânia também precisa de ser reabastecida com projéteis de artilharia e tanques de batalha modernos, disse Shmyhal na entrevista transmitida na noite de domingo antes das reuniões em Paris, ao longo da semana em curso, para levantar e coordenar mais ajuda internacional para a Ucrânia.Â
Os mais de 1.000 ataques russos à s infraestruturas desde outubro são projetados “para desencadear outra onda de migração em direção à Europa”, insistiu o primeiro-ministro ucraniano.
O Kremlin já assumiu que os ataques ao sistema de abastecimento de energia e água na Ucrânia são uma retaliação ao que Moscovo diz ter sido um ataque orquestrado por Kiev à principal ponte construÃda na penÃnsula da Crimeia, que a Rússia anexou em 2014.
Domingo, segundo indicou a Casa Branca, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, falou ao telefone com o homólogo norte-americano, em que Joe Biden reafirmou o “apoio contÃnuo” de Washington à defesa da Ucrânia enquanto a Rússia continuar os ataques a “infraestruturas crÃticas” na Ucrânia.
Os repetidos ataques russos à s infraestruturas deixaram milhões de ucranianos sem energia, aquecimento ou água em todo o paÃs.Â
No fim de semana, os ataques de ‘drones’ (aparelhos voadores não tripulados) russos perto do porto de Odessa, no Mar Negro, destruÃram várias instalações de energia de uma só vez e deixaram a população local sem energia, com exceção de hospitais e maternidades, que contam com o recurso a geradores.
A empresa de abastecimento de energia da Ucrânia, Ukrenergo, disse hoje que a situação no sistema continua difÃcil após os ataques russos, principalmente em Odessa.
Para se defender de novos ataques, Shmyhal reiterou os anteriores pedidos ucranianos de mÃsseis terra-ar ‘Patriot’ — um sistema altamente sofisticado que até agora não foi lançado — e mais sistemas de defesa antiaérea alemães e franceses.
“A Ucrânia precisa de grandes quantidades de armamento para responder de igual para igual à artilharia russa”, frisou Shmyhal, argumentando que a Rússia dispara entre 50.000 a 70.000 projéteis por dia contra alvos ucranianos.
“Precisamos diariamente de, pelo menos, um terço dessa quantidade”, referiu.
Os organizadores da conferência em Paris adiantaram esperar a presença de mais de 45 paÃses e de 20 instituições internacionais polÃticas e financeiras.Â
O foco da reunião será apressar a ajuda à Ucrânia para atender às necessidades de água, energia, alimentação, saúde e transporte durante os duros meses de inverno e enviar uma mensagem a Moscovo de que a comunidade internacional está do lado de Kiev.
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