
Porto, 09 dez 2025 (Lusa) – O primeiro-ministro apelou hoje à regularização do “funcionamento democrático” na Guiné-Bissau, após o golpe de Estado que travou o processo eleitoral, pedindo que “não haja prisões polÃticas” e que a verdade eleitoral seja apurada, mas rejeitando “ingerências”.
“É importante regularizar o funcionamento democrático do paÃs e das suas instituições, é importante que não haja prisões polÃticas, é importante que o apuramento da verdade eleitoral seja feito e que o restabelecimento de uma ordem constitucional possa acontecer”, disse LuÃs Montenegro, questionado pelos jornalistas no final da sexta cimeira Portugal Moçambique, que decorreu hoje no Porto.
Ladeado pelo chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, o lÃder do Governo português assumiu que o paÃs terá “sempre disponibilidade para colaborar e cooperar” com a Guiné-Bissau, num “posicionamento que nunca será de escalada verbal, nem de acicatar reações e contra reações”.
“Será sempre de conciliar posições, será sempre de juntar aqueles que são os princÃpios que irmanam de toda a comunidade de paÃses lusófonos: Os princÃpios da democracia, os princÃpios dos valores humanistas, os princÃpios da preservação do interesse das populações e do interesse das instituições”, apontou Montenegro.
“É isso que vamos continuar a fazer e, naturalmente, desejando que os nossos irmãos guineenses também possam fazer o esforço que lhes cabe a eles, mais do que a qualquer um de nós, fazer para poder restabelecer pacificamente a situação e poder concentrar o paÃs, também eles, no seu desenvolvimento e na promoção do bem-estar do seu povo”, acrescentou o primeiro-ministro português.
A Guiné-Bissau está suspensa da CEDEAO, assim como de outra organização regional, a União Africana, consequência do golpe de Estado em 26 de novembro, quando um Alto Comando Militar tomou o poder, destituiu o Presidente, Umaro Sissoco Embaló, que deixou o paÃs, e suspendeu o processo eleitoral.
O Conselho de Ministro da Comunidades dos PaÃses de LÃngua Portuguesa (CPLP) também recomendou aos chefes de Estado a suspensão do paÃs naquela organização.
“Nós estamos naturalmente ao lado dos nossos irmãos guineenses, do povo guineense, que almeja seguramente ter uma situação de estabilidade, de paz, de tranquilidade, para poder também caminhar rumo ao futuro”, disse ainda Montenegro, assumindo que a situação na Guiné-Bissau é “insustentável”, estando a ser analisada pela Comunidade de PaÃses de LÃngua Portuguesa, cuja liderança estaria nesta altura a cargo das autoridades guineenses.
“Nós temos vindo a conversar com todos os paÃses da CPLP, quer para a gestão da própria CPLP, quer para o contributo que é nossa obrigação podermos dar, sem ingerência direta nos assuntos de cada um dos Estados-membros, mas a contribuição que podemos dar para a resolução dos problemas mais prementes em cada um”, concluiu Montenegro.
Questionado sobre o mesmo tema, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou que o paÃs espera que o processo eleitoral seja concluÃdo, tal como já tinha afirmado em entrevista à Lusa na segunda-feira.
“O processo, até agora que estamos a falar, aquilo que eu tenho conhecimento, ainda está em curso, digo em curso porque houve eleições, os resultados ainda não foram divulgados, oficialmente, e, enquanto não forem divulgados, para Moçambique, é aguardar até que haja a divulgação dos resultados e em função disso vamos realmente tomar a posição”, disse.
“O que estamos a fazer neste momento é assistir o curso dos acontecimentos e aguardar a divulgação dos resultados oficiais pelos órgãos eleitorais instituÃdos dentro do paÃs Guiné-Bissau”, acrescentou o chefe de Estado moçambicano.
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