PM MOÇAMBICANO QUER REALOJAMENTOS SUSTENTÁVEIS PARA ATRAIR POPULAÇÕES EM ZONAS DE RISCO

LusaSofala, Moçambique 27 fev 2020 (Lusa) – O primeiro-ministro moçambicano defendeu hoje planos de reassentamento sustentáveis, considerando que as populações realojadas em casos de desastres naturais devem sentir-se atraídas pelas novas zonas.

“É preciso fazer um reassentamento virado para o desenvolvimento. Não podemos colocar a população [num lugar] sem água, escola, estrada e sementes, quando é assim ela volta às zonas de risco”, disse Carlos Agostinho do Rosário.

O primeiro-ministro falava durante uma sessão do governo de Sofala sobre emergência, em consequência das inundações que se registam naquela província do centro de Moçambique

Carlos Agostinho do Rosário disse que a “emergência veio para ficar”, e, por isso, é necessário elaborar planos que salvaguardem a vida humana e as infraestruturas em Sofala.

“Temos de ser resilientes sobre o ponto de vista das construções a fazer. Não podemos gastar dinheiro com construções que depois temos de repor, o orçamento fica pesado”, acrescentou.

O governante pediu a colaboração de todos os setores na reconstrução da província, avançando que se deve “incorporar a emergência” nos seus planos de trabalho.

“O trabalho não começa e acaba só com o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades. Todos os setores devem fazer o trabalho subsequente”, frisou.

As cheias na província de Sofala estão a afetar os distritos de Buzi, Nhamatanda, Cheringoma, Gorongosa, Caia e Maríngué.

As inundações que atingem a província desde o dia 12 já provocaram a retirada de 70.070 pessoas, o correspondente a 15.755 famílias, para centros de acomodação ou casas de familiares situadas em locais seguros.

Um total de 1.152 casas de caniço foram totalmente destruídas e 3.136 destruídas parcialmente pelas cheias, que afetam igualmente 3.255 alunos e 322 professores de 27 escolas.

As intempéries na província de Sofala inundaram, pelo menos, 4.565 hectares de campos de cultivo, afetando 3.400 camponeses, sendo que autoridades locais consideram que a área afetada chega a 8.000 hectares.

Há quase um ano, a província foi um dos pontos atingidos pelo ciclone Idai, que causou mais de 600 óbitos em Moçambique e afetou 1,5 milhões de pessoas no país.

EYAC/JYJE // LFS

Lusa/Fim