PM francês promete diálogo para viabilização do OE2026 com críticas à esquerda e direita

Paris, 24 nov 2025 (Lusa) — O primeiro-ministro francês garantiu hoje que vai negociar com os partidos políticos com representação parlamentar para evitar qualquer impasse do orçamento do Estado para 2026 (OE2026), acusando de cinismo os extremos à direita e à esquerda.

Numa declaração formal na residência oficial de chefe de governo gaulês, em Matignon, Lecornu apontou “alguns partidos políticos que bloqueiam” o OE2026, referindo-se à França Insubmissa (LFI, na sigla francesa), de Jean-Luc Mélenchon, e à União Nacional (RN, na sigla francesa), de Marine Le Pen.

“Alguns partidos políticos, alguns candidatos à Presidência consideram que os consensos não são compatíveis com sua estratégia eleitoral”, lamentou.

Os deputados franceses rejeitaram por unanimidade, em primeira leitura, o OE2026, na noite de sexta-feira para sábado, numa votação que não deixa boas perspetivas para a sua aprovação antes do final do ano.

Após semanas de debates, por vezes acalorados, sobre a tributação do património ou das grandes empresas, 404 deputados rejeitaram a parte “receitas” do texto (apenas um votou a favor), rejeitando assim todo o projeto de lei, sem sequer se debruçarem sobre a parte das “despesas”.

O Senado francês vai agora discutir o projeto inicial de OE2026 do Governo, situação inédita que abriu a porta a especulações sobre se Lecornu optará por uma Lei especial para evitar que, em 01 de janeiro, se dê uma paralisação total do Estado — ‘à americana’ (“Shutdown”).

O líder do executivo tomou a iniciativa de ouvir todas as forças partidárias, mas também associações patronais e sindicatos de trabalhadores para conversarem sobre cinco temáticas para chegarem a, “se não um compromisso, pelo menos uma maioria”.

Entre os assuntos em cima da mesa estão a redução do défice para menos de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, o que é considerada “prioridade absoluta”, segundo Lecornu.

Outros temas são a reforma da máquina estatal e simplificação administrativa, o setor da Energia, o da Agricultura e a Administração Interna e a Defesa.

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