
Beirute, 30 mai 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, denunciou hoje a “escalada perigosa e sem precedentes” de Israel, referindo que está a avançar no sul do país e a realizar grandes ataques aéreos, tendo apelado a um cessar-fogo imediato.
Numa intervenção transmitida pela televisão libanesa, Salam defendeu a decisão das autoridades de prosseguir as negociações com Israel, uma medida contestada pelo grupo xiita pró-Irão Hezbollah, e afirmou que deve ser o caminho a seguir pelo Líbano.
“Perante a perigosa e sem precedentes escalada de Israel nos últimos dias, é necessário intensificar os esforços políticos e diplomáticos para alcançar um cessar-fogo rápido e genuíno”, sublinhou.
O primeiro-ministro acusou Israel de “adotar uma política de ‘terra queimada’ e de punição coletiva”, de “destruir cidades e aldeias e forçar os seus habitantes ao exílio”, avisando que isso “não trará segurança, nem estabilidade”.
Referindo-se às negociações diretas em curso com Israel desde abril, Salam declarou que o resultado “não está garantido”, mas admitiu que “é o caminho menos dispendioso para o país e para o povo”.
Delegações militares de ambos os países reuniram-se em Washington na sexta-feira para se prepararem para uma nova ronda de negociações, agendada para terça e quarta-feira, a quarta ronda desde o início da guerra, em março.
O comunicado emitido pelos Estados Unidos após a reunião não mencionou um cessar-fogo, embora o exército israelita tenha intensificado as operações aéreas e terrestres no Líbano nos últimos dias, onde afirma estar a atacar o Hezbollah, que deseja ver desarmado.
A guerra no Líbano começou na sequência de um ataque de Israel do Hezbollah um dia após a investida do grupo islamita palestiniano em 07 de outubro de 2023.
Israel respondeu de imediato atacando o sul do Líbano e durante quase um ano o conflito manteve-se num formato de guerra de desgaste fronteiriça.
Ainda assim, os ataques diários forçaram a retirada de mais de 60.000 civis israelitas do norte de Israel e de dezenas de milhares de libaneses do sul do país.
Após meses de impasse, Israel mudou drasticamente a estratégia, no final de setembro de 2024, e deu início a operações cirúrgicas de grande impacto, como a explosão coordenada de ‘pagers’ e ‘walkie-talkies’ do Hezbollah e o assassinato do líder máximo do grupo, Hassan Nasrallah.
Finalmente, em 01 de outubro de 2024, iniciou formalmente uma invasão terrestre no sul do Líbano, transformando os combates fronteiriços numa guerra aberta de larga escala.
Atualmente, e apesar de um cessar-fogo, a guerra está a escalar, com as Forças de Defesa de Israel (FDI) a expandirem significativamente as operações terrestres e aéreas.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou a aceleração das operações, rejeitando qualquer abrandamento na campanha militar contra o Hezbollah e demarcou cerca de 18% do território do Líbano como “zona de combate”, emitindo novas ordens de retirada em massa para populações do sul do país.
PMC // VAM
Lusa/Fim
